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Ministério da Saúde

A cada dia, um novo despautério sobre as vacinas no Brasil

A pandemia da Covid-19 está completando dois anos, e o governo brasileiro continua repetindo os mesmos erros. O principal deles é se recusar a reconhecer que a imunização é o único caminho capaz de deter novas ondas e variantes

Publicado em 28 de Janeiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

28 jan 2022 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Vacinas servem como escudo para proteção contra doenças
Vacinas servem como escudo para proteção contra doenças Crédito: Pexels
Quando se imagina que o governo federal esgotou o seu arsenal de estultices, se descobre que muito ainda está por vir. O exemplo mais recente é a publicação da Nota Técnica, na semana passada, do titular de uma secretaria de nome pomposo (Ciência e Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos) do Ministério da Saúde que coloca em dúvida a eficácia das vacinas contra a Covid-19 ao afirmar que a Anvisa teria sido “permissiva” com as suas aprovações.
Ou seja, além de protelar, o mais que pôde, o início da vacinação de adultos (como ficou comprovado pela CPI da Covid-19) e de crianças (com a absurda convocação de uma audiência pública que se transformou em um tiro pela culatra ao rejeitar a exigência da recomendação médica para a vacinação), o governo continua tentando levantar dúvidas sobre a eficácia da imunização.
A Nota Técnica, além de sugerir que as vacinas contra a Covid não têm a efetividade e a segurança asseguradas pela Anvisa, defende o uso do “kit Covid” para tratamento precoce, comprovadamente ineficaz. Ou seja, o Ministério da Saúde, que conduz o Plano Nacional de Imunização, é o mesmo que difunde versões que espalham insegurança e desinformação. Ao mesmo tempo em que distribui vacinas, sugere que elas são ineficazes.
Como não poderia deixar de ser, a Nota Técnica provocou reação das autoridades sanitárias mais conscientes. É o caso da Sociedade Brasileira de Virologia que a considerou “incompreensível, inapropriada, sem ética e um acinte”. Para a entidade, “apenas uma posição política enraizada de obscurantismo e negacionismo pode explicar tal ação”. A reação foi tão grande que a Nota Técnica foi republicada na quarta-feira sem, contudo, mudar a sua essência de ir contra o protocolo da Conitec, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, que contraindica o uso do “kit Covid”.
O próprio ministro da Saúde se encarrega de disseminar desinformação sobre a vacinação. Em agosto, chegou a recomendar a paralisação da imunização de jovens entre 12 e 17 anos sem comorbidades. Em outubro, defendeu a aplicação do ineficaz “kit Covid”. Foi por isso que a Associação Médica Brasileira divulgou nota pública pedindo mudanças na gestão do ministério e acusando o ministro de “erros de conduta e deslizes éticos” por estar assumindo “posições que contradizem as boas evidências científicas” e, com isso, “expondo a saúde e a vida dos brasileiros”.
O maior difusor da desinformação sobre a pandemia é o presidente da República. Por duas vezes, em suas lives (em março e maio do ano passado), o presidente chegou ao cúmulo de, ao defender o “tratamento precoce”, imitar um doente com falta de ar. Não se vacinou, insinuou efeitos colaterais em vacinados (“se você virar jacaré é problema seu”), anunciou que não irá autorizar que sua filha seja vacinada, chamou os técnicos da Anvisa de “tarados por vacina” e pôs em dúvida a necessidade da vacinação de crianças (“você tem conhecimento de uma criança que tenha morrido de Covid?”).
Em resumo: a pandemia da Covid-19 está completando dois anos e o governo brasileiro continua repetindo os mesmos erros. O principal deles é se recusar a reconhecer que a imunização é o único caminho capaz de deter essas novas ondas e variantes da pandemia que se espalham com rapidez ameaçando toda a humanidade.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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