Na divulgação do resultado do vestibular, éramos 80. No convite de formatura, 75. A placa de bronze, comemorativa da formatura da turma de 1971 da Escola Politécnica da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) – que, segundo Reginaldo, está exposta no corredor do CT-1 do Campus de Goiabeiras –, confirma que somos 75. São naturais essas diferenças já que, durante a nossa caminhada na universidade, alguns colegas ficaram para trás enquanto outros, oriundos de outras turmas, se juntaram à nossa.
Durante o curso, havíamos perdido um colega por falecimento. Agora, já são 20 os que se despediram. O aumento da quantidade de colegas falecidos motivou a turma, que se reunia de cinco em cinco anos, a passar a se encontrar todos os anos, sempre entre novembro e dezembro. Foi ótimo que isso tenha ocorrido, pois agora passamos a rever os colegas com maior assiduidade, estreitando os laços de amizade que mantêm a turma unida.
É admirável como a união da turma de 1971 de engenheiros da Ufes se mantém há 43 anos. Na confraternização deste ano, em 23 de novembro, 21 estiveram presentes. Sem falar que outros oito só não compareceram por causa de imprevistos de última hora. E são inúmeros os que vivem em lugares distantes, o que dificulta a presença, mas não impede a manifestação pelas redes sociais como se presentes estivessem. Um dos colegas, Marco Antonio Saleme, está no Líbano, felizmente em região onde ainda “reina a calma”.
Cada nova reunião nos reserva algumas surpresas agradáveis. Na deste ano, houve a distribuição do livro “Guerrilha Diária – a luta contra ‘verdades’ estabelecidas”, do colega Lauro Koehler. É o próprio Lauro que define o seu livro como sem “pé nem cabeça porque pode ser lido a partir do último capítulo ou começando pelo meio, mas preferencialmente pelo capítulo inicial”. Seguirei o seu conselho de começar pelo começo para, como recomenda o colega Chequer Hanna no prefácio, pegar “com Lauro Koehler um pequeno empréstimo de seu bem-viver”.
Na orelha do livro aprendo que Lauro tem outros dois livros publicados, “Noções de pavimentação rodoviária” e “Na contramão”. É sinal de que a turma de 1971 é recheada de escritores, pois o colega Chequer Hanna já publicou pelo menos dois livros (“A herança e outros escritos escolhidos” e “Gravatas – memórias de viagens”) e Antonio Carlos Valente (“Santo ou piloto” no livro “Mentes despertas”) e Almir Buzato (“Calendários”) também lançaram os seus escritos.
Foi comovente também ouvir dos colegas as narrativas de suas trajetórias pessoais e profissionais, com o relato de fatos que desconhecíamos apesar das quase cinco décadas de convivência. Foi assim que recordamos a brilhante participação de Elio Bahia nos principais projetos que alavancaram o desenvolvimento do Espírito Santo, assim como a conquista pessoal de Ubiratam Monteiro que, com poucos recursos, superou as dificuldades de um vestibular e um curso difíceis com a garra que só os recém-chegados do interior têm.
São histórias assim que fizeram nascer a proposta de registrá-las – quem sabe? – em um livro escrito por muitas mãos que possa perpetuar a memória dos integrantes da turma de formandos de 1971 que, mais do que colegas, se tornaram amigos fraternos e queridos. Memória que – sendo a ideia levada adiante – não deixará de conter, certamente, casos deliciosos que cada um de nós certamente contará para eternizar o período mágico que marcou a passagem pela vida universitária da notável turma de 1971.