Quando S/A A Gazeta foi organizada, em 3 de junho de 1938, ao adquirir o acervo de A Gazeta Limitada (até então a responsável pela publicação do jornal A Gazeta desde 1928), Carlos Lindenberg, na época exercendo o seu primeiro mandato como governador do Estado do Espírito Santo, figurava como um dos acionistas minoritários da empresa.
O acionista majoritário era o empresário Oswald Guimarães que, após enfrentar uma longa disputa judicial pelo controle da empresa entre 1940 e 1942, decidiu, em 1945, vender as suas ações para o fazendeiro Eleosipo Cunha.
Eleosipo adquiriu o jornal com o propósito de utilizá-lo na sua campanha política como candidato a vice-governador, formando chapa com o candidato a governador Atílio Vivacqua, apoiado por uma coligação de partidos liderada pelo PR, Partido Republicano. No plano nacional, Eleosipo se engajou na campanha do Brigadeiro Eduardo Gomes que disputava a presidência da República nas eleições de 1948. Com a sua derrota em 1947, e a do Brigadeiro nas eleições de 1948 (os eleitos foram Carlos Lindenberg e José Sette como governador e vice em 1947, e Eurico Gaspar Dutra como presidente em 1948), Eleosipo Cunha decidiu encerrar a sua carreira política e vender o controle acionário de S/A A Gazeta.
Mas era propósito de Eleosipo só vender S/A A Gazeta para um grupo que não tivesse ligações com o PSD, Partido Social Democrático, já que não queria transferir a empresa para os seus adversários políticos. Foi por isso que a venda foi feita para um grupo de empresários – liderado por Alfredo Alcure – que, aparentemente, não tinha ligações com partidos políticos. Pouco tempo depois, entretanto, boa parte desses empresários transferiu as suas ações para Carlos Lindenberg, que se tornou acionista majoritário da empresa em 1948.
Desde então a família Lindenberg conduziu os destinos de S/A A Gazeta e das outras empresas que, posteriormente, passaram a fazer parte da Rede Gazeta. Inicialmente, Carlos Lindenberg colocou no comando da empresa o seu cunhado Eugênio Pacheco de Queiroz, irmão da sua esposa Maria Lindenberg.
Em 1962, após ter exercido outras atividades empresariais, Cariê Lindenberg, filho de Carlos, assumiu a direção comercial da empresa. Algum tempo depois, Cariê passou à direção executiva e Eugênio Queiroz ao comando do Conselho de Administração. Em 2000, foi a vez de Cariê passar para o Conselho de Administração, entregando a direção executiva ao seu filho Café, Carlos Fernando Lindenberg Neto.
Sob o comando da família Lindenberg, A Gazeta se modernizou e se tornou um grupo empresarial que conta, atualmente, com 18 veículos e negócios, entre os quais estão A Gazeta, quatro emissoras de televisão e oito de rádio. Entre as datas mais importantes da sua trajetória estão a desvinculação da linha editorial aos interesses políticos do PSD, Partido Social Democrático (1967), a inauguração do edifício A Gazeta, na rua General Osório (1968), o início das atividades da TV Gazeta (1976), a formação da Rede Gazeta com o lançamento da Rádio Gazeta FM (1978), a mudança para a sede de Bento Ferreira (1983), o lançamento das emissoras de TV Gazeta Sul (1988), Gazeta Norte (1997) e Gazeta Noroeste (2006) e a formação da Rede Litoral de rádios (2008).
Mais recentemente ocorreram a mudança de produção de TV em HD (2013), a implantação da redação multimídia (2014), a inauguração do Gazeta Lab, dedicado ao desenvolvimento de projetos inovadores (2016), os lançamentos do sinal digital da TV Gazeta (2017) e do movimento “Somos capixabas” com o objetivo de valorizar o povo capixaba (2018), e a transformação do jornal A Gazeta em digital (2019).
É essa a trajetória vitoriosa da Rede Gazeta, conduzida pela família Lindenberg, que tem muito o que comemorar ao completar 95 anos de serviços prestados à comunidade capixaba.