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Política

Ainda somos os mesmos, como nossos pais

Fica, na maior parte da sociedade – aquela que paga os impostos com o suor do trabalho – a sensação de que a política brasileira tem, infelizmente, regredido em muitos aspectos

Publicado em 20 de Julho de 2023 às 17:08

Públicado em 

20 jul 2023 às 17:08
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Durante a votação da reforma tributária na Câmara dos Deputados, o país assistiu a um dos mais explícitos toma-lá-dá-cá da política brasileira. Mesmo que a prática seja familiar para quem acompanha a política, o fato de o noticiário ter exibido simultaneamente o burburinho do plenário do Congresso (com as conversas entre os parlamentares sendo muito mais intensas do que os discursos), as reuniões entre líderes de partidos e do governo negociando cargos e ministérios, e o gráfico em tempo real do montante de dinheiro liberado para as emendas parlamentares (montante que ultrapassou a estratosférica marca dos R$ 8,5 bilhões) deixou, em todos os brasileiros de bem, um enorme mal-estar sobre a que ponto chegamos com as trocas de favores regados com dinheiro público.
A cada exigência feita por um partido político atendida pelo governo se seguia uma outra, ainda maior, emperrando a votação. Quem acompanhava as negociações pressentia que, como o apetite dos políticos não tem limites, dificilmente o governo conseguiria atender a todos os pedidos.
O que, naturalmente, antecipava a previsão de que, mesmo que a reforma fosse aprovada pelo plenário, as exigências não atendidas retornariam à mesa de negociações nas próximas votações do famigerado arcabouço fiscal. E como as votações não se limitam a essas duas, outras exigências serão gestadas para serem feitas e, possivelmente, atendidas, em outras oportunidades.
Alguém há de dizer que esse é o preço cobrado pela democracia, já que esta pressupõe a repartição de poderes. E que o caminho para a formação de um governo de coalizão é a participação, nesse governo, de todas s forças políticas que estejam dispostas a apoiá-lo nas votações importantes no Congresso. Como se justificou Lula, “negociar é negociar”. Mas não deixa de ser revoltante, e difícil de engolir, a troca desbragada de favores com o dinheiro público sem qualquer consideração pelo interesse nacional.
O resultado dessa prática fisiológica pode ser constatado em dois fatos recentes. Em um deles, a cabeça de uma ministra – a do Turismo – foi exigida por um partido político – o União Brasil – seis meses após a indicação ter sido feita. Indicação que, aliás, foi levada adiante não pela competência da indicada, mas simplesmente por ser ela esposa de um líder político da Baixada Fluminense.
E a troca não foi pedida levando em consideração a competência da ministra, mas sim por questão político-partidária. Em outras palavras, errou quem indicou, errou quem aceitou a indicação, e quem perdeu foi o povo brasileiro. O turismo brasileiro que se dane. E as trocas, no primeiro e segundo escalões do Governo, não vão parar por aí.
Outro fato exemplar dos prejuízos causados à nação pela prática inconsequente do toma-lá-dá-cá – ironicamente também chamada de Oração de São Francisco, aquela que diz que “é dando que se recebe” –, também ocorrida recentemente, foi a exoneração do presidente do INSS que durou apenas cinco meses no cargo.
Ele, que tinha sido nomeado por indicação de um deputado federal do PSD do Rio de Janeiro, foi exonerado, segundo o noticiário, por causa do aumento da fila de benefícios não atendida do INSS e por suspeitas de mau uso de passagens e diárias. Mais uma vez o brasileiro paga a conta do prejuízo causado pela troca de favores com o dinheiro público patrocinada por políticos e governo.
Sessão na Câmara dos Deputados em que foi aprovada a reforma tributária
Sessão na Câmara dos Deputados em que foi aprovada a reforma tributária Crédito: Zeca Ribeiro/Agência Câmara
Fica, na maior parte da sociedade – aquela que paga os impostos com o suor do trabalho – a sensação de que a política brasileira tem, infelizmente, regredido em muitos aspectos como no combate à corrupção – diante da implosão da legislação anticorrupção e de operações, como a Lava Jato –, e na proliferação desenfreada da mais rasteira prática do toma-lá-dá-cá, da troca de favores paga com dinheiro público sem considerar o interesse do povo.
Ou seja, como na canção de Belchior, imortalizada por Elis Regina e agora revivida no comercial que marca os 70 anos da Volkswagen, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais em um país que, na política, ao invés de dar um passo para frente, dá dois para trás.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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