O fato de os ingressos para os shows que marcaram a Temporada de Abertura do Cais das Artes – como o evento foi divulgado pela Secretaria de Estado da Cultura – terem se esgotado vários dias antes, demonstra a ansiedade dos capixabas diante da perspectiva da inauguração daquele que o vocalista da banda Casaca, Renato Casanova, disse que será “o coração da arte e da cultura capixaba”. E vejam que o evento, realizado durante três dias, ocorreu na Praça do Cais, já que a edificação – composta pelo museu, teatro e um edifício anexo, ainda não foi aberta ao público, pois continua em obras.
Realmente é grande a expectativa dos capixabas com a inauguração do Cais das Artes, após 15 anos de construção. O autor do projeto arquitetônico, o capixaba Paulo Mendes da Rocha, infelizmente já não está entre nós porque faleceu em maio de 2021. Ícone da geração de arquitetos modernistas, Paulo foi premiado em 2016, pelo conjunto de sua obra, com o Leão de Ouro da Bienal de Veneza. Iniciada em 2010, a construção enfrentou diversos problemas, entre os quais a falência da construtora contratada e outras pendências que se arrastaram por anos até serem resolvidas.
Atualmente em fase de acabamento, o Cais deve ser concluído e entrar em funcionamento regular até o final deste ano. Entre os eventos programados para a ocasião está a exposição “Amazônia”, do fotógrafo Sebastião Salgado, que sempre teve, ao longo de sua vida, uma intensa relação com o Espírito Santo.
Além do museu – com 3 mil metros quadrados distribuídos em cinco salas – o Cais terá um teatro com capacidade de acolher 1,3 mil espectadores e um edifício anexo que abrigará oficinas e será utilizado como reserva técnica e escritórios administrativos. Ocupando 30 mil metros quadrados, o Cais tem como proposta ser um centro de arte, educação e convivência, acessível a todos os públicos.
Pelo seu porte, o Cais das Artes, situado na Enseada do Suá, em Vitória, estará apto a receber espetáculos de grande dimensão, além de abrir espaços para as manifestações artísticas e culturais do Espírito Santo. Daí a empolgação da classe artística capixaba que vive a expectativa de estar prestes a desfrutar de uma nova era de desenvolvimento da sua atividade.
A gestão do Cais das Artes será feita pela Secretaria de Estado da Cultura em parceria com a Organização dos Estados Íbero-Americanos e a Fundação Roberto Marinho, que será a responsável pelas programações formativas e educacionais.
A população capixaba e, em especial, os profissionais que se dedicam às artes e à cultura têm que realmente celebrar a proximidade de inauguração do Cais das Artes. Afinal, a espera é longa, os obstáculos encontrados no transcurso das obras foram muitos, mas a abertura da programação cultural é um prenúncio positivo de que a inauguração está próxima.
Que venham, então, os grandes espetáculos e exposições para que o Cais das Artes possa, de fato, marcar o início de uma nova era e, como disse Casanova, vir a se tornar “o coração da arte e da cultura capixaba”.