A pandemia da Covid-19 chega, no Espírito Santo, ao seu mais baixo patamar na quantidade de infectados e de mortos desde as primeiras semanas de escalada da doença. O índice de ocupação de leitos de UTI destinados a pacientes do Covid atingiu índices próximos de 60%, possibilitando a liberação de 130 leitos para o atendimento de outras doenças. O Estado, salvo surpresas, caminha para a etapa final de combate à doença com o dever cumprido.
É preciso ressaltar, em primeiro lugar, o trabalho abnegado de todos os profissionais de saúde que se expuseram e se empenharam em salvar vidas diante da maior ameaça à saúde da humanidade dos últimos 100 anos. Graças a eles, a quantidade de vítimas não foi maior. A população, em várias ocasiões, manifestou o seu reconhecimento a esse trabalho aplaudindo nas janelas dos condomínios e estendendo faixas públicas demonstrando gratidão. É comovente ver os doentes saindo recuperados dos hospitais, aplaudindo os seus benfeitores e sendo aplaudidos por eles.
A imprensa soube mostrar, através da divulgação de testemunhais, a luta desses profissionais no atendimento às pessoas contaminadas. Alguns desses profissionais chegaram a se afastar de seus familiares, por longos períodos, para protegê-los do risco do contágio. Outros acabaram contaminados por causa da exposição à doença durante a execução do trabalho.
Merecem aplausos, também, as autoridades públicas do Estado do Espírito Santo, especialmente a da Secretaria de Estado da Saúde, que souberam conduzir, com prudência e zelo, as políticas de prevenção orientando a população sobre como se comportar durante a pandemia.
Foram competentes tanto na restrição quanto na liberação das atividades da população, o que contribuiu para conter a contaminação e a manter a ocupação dos leitos de UTI nos limites adequados para assegurar o atendimento à saúde de todos que precisaram de socorros médicos.
Nesse aspecto, o Espírito Santo pode ser apontado como referência para outros Estados que não conseguiram resultados semelhantes. E serve também como contraponto para demonstrar que a quantidade de vítimas da pandemia poderia ser bem menor caso o governo federal não insistisse tanto em negar a gravidade da doença e em desestimular o isolamento social e os cuidados básicos de prevenção como o uso da máscara e o de evitar aglomerações.
Quando a pandemia acabar – e ela vai acabar – a história será justa no julgamento de todos aqueles que contribuíram, com seu esforço e dedicação, a combater a doença e a salvar vidas. E será justa também ao condenar aqueles que, na direção contrária da ciência e do bom senso, contribuíram para disseminar a doença e aumentar a quantidade das vítimas.