A Covid-19 ainda não acabou e só quem não sabe disso – ou finge não saber – é o governo federal que revogou o decreto que havia instituído o Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da pandemia. É bem verdade que a quantidade de casos e de óbitos está próximo da estabilidade em praticamente todos os Estados do país, mas baixar a guarda, a esta altura dos acontecimentos, é uma temeridade.
O alerta veio do Comitê de Medidas em Vigilância de Saúde do Governo de São Paulo que acaba de recomendar o retorno do uso de máscaras em locais fechados, considerando que a quantidade de internações por Covid-19 subiu 120% em maio em relação ao mês anterior. O governo paulista não decretou a volta da obrigatoriedade das máscaras, mas a recomendação merece ser seguida. Para as pessoas do grupo de risco, a recomendação é a de que usem as máscaras mesmo nos ambientes abertos.
A recomendação ressalta a necessária prudência quando se constata que a contaminação continua presente e, em muitos casos – como no Espírito Santo – está crescente. Como explica o secretário de Saúde do Espírito Santo, a tendência é a de que a quantidade de infecções cresça ainda mais durante o inverno. Felizmente a quantidade de óbitos tem permanecido estável, o que demonstra, de uma vez por todas, a eficácia da vacinação. De acordo com o secretário Nésio Fernandes, os óbitos têm sido registrados em pessoas que não estavam com o esquema vacinal completo.
Os números da Covid-19 no Espírito Santo confirmam os ótimos efeitos da vacina. Mesmo com 7.149 novos casos em maio (10 casos por hora, um aumento de 24,8% em relação a abril), foram 18 os mortos por Covid-19 (uma redução de 67,2% em relação ao mês anterior). Durante vinte dias de maio não foram registrados óbitos por Covid-19, graças à vacinação da maioria da população. Nas últimas seis semanas as infecções aumentaram em sete vezes (de 322 para 2.256) e a taxa de positividade dos testes aumentou 20%.
Esses números demonstram a importância de a população, pela sua própria iniciativa – sem esperar por decretos governamentais – adotar a prudência como o melhor comportamento. Ou seja, voltar a usar máscaras nas aglomerações – em locais como feiras livres, shoppings, academias, escolas, supermercados e em eventos públicos –, principalmente entre as pessoas que integram os grupos de maior risco. Além, é claro, de manter em dia a vacinação, já que somente no Espírito Santo 1,5 milhão de pessoas está com doses em atraso.
Como bem definiu Eduardo Sprinz, chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, “nós estamos num contexto que estão flexibilizando as medidas de proteção e esquecendo da ameaça”. Para ele, “a prevenção ainda é essencial” já que, até o momento, “não foi desenvolvido um imunizante que proteja (as pessoas) por um período indeterminado”.