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Eleições 2022

Fake news, a erva daninha que ameaça a democracia

Na presente campanha eleitoral, o jornalismo terá um papel importante, além de relatar os fatos do dia a dia: executar o trabalho de “fact-checking”, ou seja, o de checar a veracidade das informações

Publicado em 12 de Agosto de 2022 às 02:00

Públicado em 

12 ago 2022 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Crédito:
Uma erva daninha que existe desde quando o mundo é mundo, mas que assumiu, com as novas tecnologias, dimensões de um tsunami: as fake news. É a notícia falsa, a mentira, a intriga que destrói relacionamentos, reputações e, não raro, causa tragédias. Com a internet, potencializada pelos bots que replicam as mensagens automaticamente aos milhares (ou milhões?), as fake news se transformaram em uma ameaça real à democracia.
Para Thássius Veloso, comentarista da CBN e GloboNews, e Carolina Morand, apresentadora do “Ponto Final CBN”, que participaram como debatedores, na sexta-feira da semana passada, do evento de lançamento do 25º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, não se trata de uma erva daninha fácil de se combater. Até porque, enfatiza Veloso, a tecnologia está disponível para a criação das “deep fakes”, capazes de produzir vídeos falsos com imagens e áudios que parecem reais. E, como acentua Morand, “as pessoas acreditam no que elas querem acreditar”. Ou seja, quando as fakes news coincidem com a crença do receptor, ele reforça a sua crença e compartilha a mensagem com sabe-se lá quantos amigos e conhecidos.
Dessas colocações é possível tirar duas conclusões iniciais. A primeira é a de que as grandes empresas de tecnologia precisam atuar para combater as fake news. E devem também ser monitoradas para que não abram espaços para a proliferação das “deep fakes”. Como lembrou Veloso, essas empresas falam com 2 bilhões de pessoas e, por isso, não faz sentido tratá-las como se não fossem empresas de comunicação de massa.
 A segunda conclusão é a de que a população precisa ser alertada, de forma massiva, sobre os malefícios do compartilhamento da desinformação. Como aliás, ocorreu – e ainda ocorre – na disseminação de falsas informações sobre as vacinas contra a Covid-19.
A polarização política vivida pelo Brasil neste período eleitoral é propícia à disseminação das fake news. Não é por outra razão que tramita no STF, desde março de 2019, um inquérito que apura as responsabilidades pela disseminação de conteúdo falso na internet. Um dos investigados no inquérito é o presidente da República que, como é público e notório, vive repetindo insinuações contra as urnas eletrônicas e afirmando que as eleições de 2014 e 2018 teriam sido fraudadas.
Nesse contexto emerge, uma vez mais, a importância do jornalismo profissional que checa a veracidade das informações antes de divulgá-las. Pesquisas comprovam que é nos órgãos tradicionais de imprensa que as pessoas buscam informações confiáveis. Para tirar dúvidas sobre alguma notícia, as pessoas acessam o noticiário produzido por jornalistas profissionais. Isso remete a imprensa a desempenhar papel semelhante ao que cumpriu quando surgiu para informar em contraposição aos boatos da época.
Na presente campanha eleitoral, o jornalismo terá um papel importante, além de relatar os fatos do dia a dia: executar o trabalho de “fact-checking”, ou seja, o de checar a veracidade das informações divulgadas pelos candidatos nas suas entrevistas e propagandas com o propósito de detectar erros, imprecisões e mentiras. Com isso, poderá prestar um serviço essencial aos brasileiros: o de defender a democracia contra a erva daninha das fake news.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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