O Espírito Santo encerra o ano de 2025 com um antigo desafio: o de superar a “agenda velha”, como são chamados os gargalos de infraestrutura que há décadas emperram o desenvolvimento do Estado. Desses gargalos, o único que foi totalmente superado foi o do Aeroporto de Vitória, inaugurado em março de 2018 pelo então presidente Michel Temer.
E o que está com solução razoavelmente encaminhada é o da duplicação parcial da BR 101, cuja concessão foi assumida pela Eco101 em 2013, paralisada em julho de 2022 (com a devolução da concessão) e retomada em 2025 com a repactuação com a EcoRodovias, holding da antiga Eco10, agora Ecovias Capixaba. Na repactuação ficou acertada a duplicação da maior parte do trecho capixaba (da divisa com o Estado do Rio a Linhares) e a construção de faixas adicionais entre Linhares e a divisa com a Bahia.
Outros investimentos da “agenda velha” ainda permanecem em estudos de viabilidade e projetos. O mais adiantado é o que prevê a construção de uma nova BR 262, cuja construção foi dividida em três etapas, sendo a primeira delas entre Viana e Marechal Floriano com previsão de ser licitada nos primeiros meses de 2026.
Essa etapa envolve obras complexas como viadutos e mergulhões e nela serão aplicados recursos que têm origem na parte que coube ao Espírito Santo no acordo firmado como compensação pelo desastre da barragem de Mariana. Ainda na fase de elaboração de projetos está a BR 259 (João Neiva-Colatina). Já a construção da EF 118, trecho de ferrovia que ligaria Santa Leopoldina a Ubu (Ramal Anchieta), caminha lentamente com a desistência da Vale de executá-lo como contrapartida à renovação antecipada da concessão da Estrada de Ferro Vitória-a-Minas.
Mas nem só de “agenda velha” viveu o Espírito Santo em 2025. Está em pleno andamento o processo de retomada de 100% da produção da usina de Ubu, da Samarco, que deverá ser concluído em 2026. Há também investimentos públicos e privados importantes previstos e em andamento como, por exemplo, os que pretendem integrar dez municípios capixabas no Parklog, o polo de desenvolvimento cujo epicentro é a Zona de Processamento de Exportações de Aracruz, administrada pelo Grupo Imetame, a primeira ZPE privada do Brasil. Criada há dois anos, a ZPE está situada próxima ao porto da Imetame, possuindo áreas disponíveis para empresas de produção de bens e serviços destinados ao mercado externo. O Governo do Estado prevê, para 2026, dedicar 20% da sua receita a investimentos nas áreas de infraestrutura e logística.
O Espírito Santo, em 2025, também colecionou resultados positivos na gestão fiscal (nota A+ concedida pelo Tesouro pelo cumprimento dos indicadores de capacidade de pagamento e alta qualidade na informação contábil e fiscal) e números expressivos na educação (234 escolas em tempo integral, 60% das escolas e 40% dos alunos, superando a meta estabelecida que era de 50% das escolas de 25% dos alunos em tempo integral). Na área da saúde, a boa notícia vem da perspectiva de inauguração, em 2026, do Hospital Geral de Cariacica.
A agropecuária demonstrou resiliência ao resistir bem aos efeitos do tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump ao anunciar exportações da ordem de R$ 15 bilhões no ano. Ainda há atividades afetadas pelo tarifaço, como as do café solúvel, ovos e pescado, mas outras culturas bateram recordes históricos como as de pimenta do reino e mamão.
Na segurança, o governo festeja a redução da quantidade de mortes violentas, mas a taxa a cada 100 mil habitantes do Espírito Santo (21,2) ainda é maior que a média nacional (18,9). Há, também, concretas perspectivas de que a recém-criada Secretaria Estadual de Recuperação do Rio Doce venha, de fato, a promover, em curto prazo, o saneamento básico e a recuperação das nascentes e matas ciliares das cidades ribeirinhas do maior rio do Espírito Santo.
Não são poucos os desafios a serem enfrentados pelo Espírito Santo na luta pela construção de um futuro melhor. Sabemos que precisaremos enfrentar os efeitos de uma reforma tributária madrasta com os estados que produzem mais do que consomem já que temos pequenas dimensões geográficas e população menor que a maioria dos demais estados da federação.
Mas temos o mérito de sermos um exemplo de austeridade fiscal e termos expressiva participação no comércio exterior do país. E que, mesmo com pequena influência política no cenário nacional, fomos corajosos como quando superamos as consequências da erradicação do café na década de 1960, e mais recentemente, da contaminação do Rio Doce e do fim dos incentivos fiscais.
“Nossos braços são frágeis, que importa?”, diz o nosso hino. Mas é esse mesmo hino que nos ensina que “temos fé, temos crença a fartar” (...) para insistir na “busca de um futuro esperançoso”.