Os últimos acontecimentos da política brasileira comprovam: o Brasil merece uma alternativa que quebre a polarização que atualmente condena o eleitor a escolher entre um presidente inconsequente (Luiz Inácio Lula da Silva) e um ex-presidente igualmente inconsequente (Jair Messias Bolsonaro).
Foi essa polarização que levou o eleitorado brasileiro a ficar refém da escolha entre dois extremos (um à esquerda e outro à direita) sem que houvesse, até agora, a construção de uma opção viável com chances reais de vitória.
Foi assim em 2018 (quando Lula inelegível foi substituído por Haddad como candidato), em 2022 (quando o STF descobriu que Lula havia sido julgado “na instância errada” e anulou as suas condenações) e provavelmente ocorrerá em 2026 – com ou sem a inelegibilidade de Bolsonaro – se não se formar um movimento político capaz de quebrar a hegemonia dessa polarização. Polarização que, diga-se de passagem, muito agrada tanto a Lula quanto a Bolsonaro, que se alimentam das agressões ao adversário já que ambos têm muitos pontos vulneráveis.
Mas quais são os acontecimentos recentes que fazem o povo brasileiro merecer, cada vez mais, uma alternativa diversa da polarização quando chegar a hora de escolher o próximo presidente da República? Esses acontecimentos são os escândalos que marcam os governos de um e de outro e escancaram o despreparo de ambos para conduzir os destinos da nação.
Lula, por exemplo, não bastasse o teatrinho que faz quando precisa adotar alguma medida impopular (“Primeiro eu tenho que estar convencido se há necessidade ou não de cortar”, disse ele mesmo quando até a rampa do Palácio do Planalto sabe que, se não houver corte de gastos, a meta de déficit zero não será atingida, o que evidencia o populismo que está nas suas entranhas), acaba de editar uma Medida Provisória que joga nas costas da população que paga contas de luz a dívida que a Amazonas Energia tem com as termelétricas recentemente compradas pelos famigerados irmãos Joesley e Wesley Batista. O escândalo fez o jornalista Fernando Gabeira desabafar: “O país continua sendo saqueado”.
Mas não são só os irmãos Batista que são beneficiados pelo Governo Lula: o escândalo da compra pública de arroz importado – que estava sendo conduzida apesar de o setor de agronegócio jurar que não havia risco de desabastecimento do produto – desnudou uma manobra rasteira de tráfico de influência do mais baixo nível que quase leva o país a comprar 263 mil toneladas de arroz de uma empresa fabricante de sorvetes, de uma mercearia de bairro especializada em queijo e de uma locadora de veículos. O negócio só não se consumou porque o escândalo chegou ao conhecimento da imprensa.
O Governo Bolsonaro foi também farto em escândalos parecidos, um dos quais relacionados com a compra de vacinas contra a Covid-19 que só não se concretizou porque foi denunciado publicamente pela CPI da pandemia instalada no Congresso Nacional. Agora, repercutem com intensidade o escândalo das joias recebidas como presente pelo governo e, segundo relatório da Polícia Federal, desviadas pelo ex-presidente.
O escândalo mais recente está sendo revelado na gravação de reunião de agosto de 2020 em que fica nítida a participação da Abin, serviço de inteligência civil do Brasil vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República na elaboração de estratégias para livrar um dos filhos de Bolsonaro das acusações de ter patrocinado “rachadinhas” no período em que foi deputado estadual na Assembleia do Rio de Janeiro.
A Abin, segundo a Polícia Federal, foi utilizada no Governo Bolsonaro também ilegalmente para fornecer informações a influencers que postavam nas redes sociais notícias falsas contra ministros do STF, senadores da CPI da Covid-19, jornalistas e agentes de checagem de notícias. É a chamada “Abin paralela” fartamente utilizada por Bolsonaro contra seus adversários políticos.
É por essas e por outras que o Brasil precisa de alternativas para quebrar essa polarização entre Lula e Bolsonaro que, se for mantida, condenará o país a ter, sabe-se lá, quantos anos mais de desgovernos e desesperanças.