O mau exemplo vem de cima e se alastra por todo o governo. O presidente da República repete blefes e inverdades – que seus aliados muitas vezes tentam, sem sucesso, consertar –, e seus comandados seguem os seus passos. O presidente é o chefe supremo do negacionismo, a começar pela pandemia do coronavírus que ele nunca levou a sério. Nem quando o vírus o contaminou, nem quando contaminou a sua mulher e matou a avó da sua mulher. Muito menos quando a Covid-19 matou o Chefe do Centro de Inteligência do Exército.
Qualquer pessoa de bom senso e com um mínimo de sensibilidade sente compaixão pelas 130 mil vítimas da pandemia e suas famílias. Mas o presidente da República não conhece esses sentimentos porque acha que a pandemia – a maior catástrofe experimentada pela humanidade nos últimos cem anos – não passa de uma “gripezinha”, uma “chuva” sem consequência, que só vitima “os bundões” como chama os jornalistas. Ou seja, para ele, os 130 mil mortos não existem, são exageros da imprensa.
E assim, de negação em negação, o presidente e seu governo se tornam os maiores responsáveis pela matança da doença que coloca o Brasil no segundo lugar do ranking dos países que mais colecionam vítimas e onde a doença perdura por mais tempo. E mais: o presidente não só nega a gravidade da doença, como faz tudo para agravá-la quando combate o uso da máscara, incentiva as aglomerações e defende o uso de medicamento comprovadamente ineficaz no combate da doença.
Agora, o governo não se limita a negar a gravidade da doença. Contrariando a constatação do Inpe, de que nas últimas semanas os focos de calor na Amazônia são 118% mais numerosos que os de 2019, o vice-presidente da República e o ministro do Meio Ambiente compartilham vídeo produzido pela Associação de Criadores do Pará que afirma que não há queimadas na região. A repercussão foi imediata já que a mentira propagada pelo vídeo é tão escandalosa que desmoraliza a quem o divulga.
O vice-presidente da República, sabe-se, é o presidente do Comitê do Fundo Gestor da Amazônia e da Comissão da Amazônia Legal, organismos que têm como objetivo principal a preservação da floresta. E o ministro do Meio Ambiente, nem é preciso dizer, deveria ser o principal defensor da maior floresta do planeta. No entanto, essas duas figuras se juntam à do presidente para negar o óbvio: que a Amazônia está em acelerado processo de desertificação.
E assim, de negacionismo em negacionismo, o governo federal segue atropelando os fatos e criando as fake news que proliferam como erva daninha inundando o país de mentiras e agravando os problemas que deveriam ser tratados com seriedade e competência. Atributos, aliás, que o Brasil tanto precisa e que, infelizmente, nunca esteve tão ausente na nossa classe política.