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Corrupção

O Brasil reconhece o legado da Lava Jato

É fácil constatar que a campanha contra a Lava Jato sempre foi (e continua sendo) uma iniciativa dos políticos por ela investigados e condenados, a começar pelo atual presidente da República

Publicado em 12 de Abril de 2024 às 01:35

Públicado em 

12 abr 2024 às 01:35
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Não adiantou os Três Poderes da República (aí incluídos os governos de direita e de esquerda) e a parte podre da política e do empresariado se unirem para acabar a Lava Jato, desmontar o sistema por ela concebido de investigação e punição dos corruptos, e fazer uma massiva campanha de desmoralização e perseguição dos procuradores e juízes que estiveram à frente da operação.
Mesmo que formalmente a Lava Jato tenha acabado (foram extintas das forças-tarefa, anulada a maior parte das provas e das condenações, libertados um a um os condenados à prisão, suspensos os pagamentos das multas dos acordos de leniência, enterrado o projeto das Dez Medidas Contra a Corrupção), os brasileiros demonstram reconhecer o valor do legado deixado pela operação que acaba de completar dez anos de existência.
Pesquisa realizada pela Genial/Quaest no início de março indica que 50% dos brasileiros reconhecem que a Operação Lava Jato, a mais bem-sucedida iniciativa de combate à corrupção do Brasil, fez mais bem do que mal ao país, enquanto só 28% pensam o contrário. A mesma pesquisa informa que 42% dos brasileiros acreditam que a Lava Jato foi interrompida devido às pressões do mundo político, e somente 25% veem excessos dos investigadores.
A percepção dos brasileiros está correta. Afinal, é fácil constatar que a campanha contra a Lava Jato sempre foi (e continua sendo) uma iniciativa dos políticos por ela investigados e condenados, a começar pelo atual presidente da República e membros do governo federal, mas  também inclui integrantes e políticos apoiadores do governo anterior. Vale lembrar que foi o Procurador-Geral da República indicado por Jair Bolsonaro quem extinguiu as forças-tarefa da operação.
No rol dos perseguidores da Lava Jato estão também os partidos de esquerda (como o Psol, o PCdoB e o Solidariedade), que – vejam só que contradição, logo eles que, no passado, defendiam tanto a moralidade! – chegaram a entrar na Justiça com ação em favor das empreiteiras reivindicando a suspensão dos pagamentos dos acordos de leniência que essas empresas firmaram com o Ministério Público Federal, alegando que esses acordos foram firmados sob coação.
Chamadas a se explicar em audiência, as próprias empresas negaram terem sido forçadas a aceitar os termos dos acordos que, afinal, foram propostos por elas mesmas. É bom lembrar que nos Estados Unidos e na Suíça essas mesmas empresas têm acordos semelhantes que continuam em pleno vigor, sem qualquer contestação.
Os detratores da Lava Jato (entre esses Ricardo Lewandowski, desde quando ainda era ministro do STF, Lula e o secretário de Imprensa do Governo Federal) estão, agora, repetindo uma velha ladainha, baseadas em estudo feito pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), através do Dieese, de que a Lava Jato teria dado prejuízo ao país ao perseguir empresas, acabar com 4,4 milhões de empregos e reduzir o PIB em 3,6%.
O mais absurdo dessas alegações é o de defender o roubo, a propina, o suborno, o desvio de recursos públicos, a lavagem de dinheiro – que foram fartamente comprovados pela Lava Jato –, o famoso “rouba, mas faz”. Ora, quem deu prejuízo ao país foi a corrupção, que, além de assaltar os cofres públicos, instituiu uma concorrência desleal prejudicando as empresas idôneas que foram escanteadas nas licitações por um esquema fraudulento de direcionamento e superfaturamento que burla o critério correto da disputa lícita e legal e irriga os bolsos dos corruptos.
Dos legados deixados pela Lava Jato ao completar os seus dez anos de existência, o mais importante é que ela desnudou, para a população brasileira, a teia de corrupção que permeava a política brasileira e os negócios que envolviam os políticos e parte do empresariado.
A corrupção existia (e existe!) e ninguém – nem os detratores da Lava Jato – conseguem desmentir isso. Os bilhões devolvidos pela corrupção confessada estão aí para demonstrar com quem estava (e está) a verdade. Não há narrativa capaz de desmentir os fatos que mostram réus confessos escondendo milhões em dinheiro vivo em apartamentos vazios e em contas no exterior.
É preciso acreditar que a Lava Jato tornou as empresas brasileiras mais conscientes de que não vale a pena se corromper e distribuir propinas para obter vantagens indevidas. E que boa parte dos políticos também se convenceu de que é muito alto o preço que se paga quando uma corrupção é escancarada para a opinião pública.
Espera-se que, também, o eleitor brasileiro esteja mais consciente do valor que tem o seu voto para evitar que os corruptos se elejam ou se mantenham no poder. Afinal, a Operação Lava Jato nos ensinou que a forma mais racional de acabar com a corrupção é derrotando os corruptos com a arma mais democrática que temos que é a do voto nas eleições. Porque a história recente está aí a nos provar que deixar a punição para ser aplicada pelo Judiciário é, infelizmente, uma utopia.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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