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Política

O desalento na nossa triste República

Folletto tem razão, “o povo está cansado e as coisas não mudam”, infelizmente. Até quando isso continuará? Com a palavra, o eleitor
José Carlos Corrêa

Publicado em 

23 jan 2026 às 04:00

Publicado em 23 de Janeiro de 2026 às 07:00

O deputado Paulo Folletto, ao anunciar que não irá mais disputar eleições, confessou estar “cansado” após mais de 20 anos de vida pública. “É escândalo do INSS, é Banco Master, é o Judiciário anulando a Operação Lava Jato. O cenário nacional me deixa desanimado, o povo está cansado e as coisas não mudam”, desabafou Folletto em entrevista à colunista Letícia Gonçalves.
O desalento, sabemos todos, não é só do parlamentar capixaba. É também da grande maioria dos brasileiros que, há muito, perdeu a esperança de ver a moralidade restaurada em nossa triste República.
Sem medo de errar, podemos dizer que tivemos um período em que essa esperança existiu em cores vivas. Foi na época em que – após as frustrações que se seguiram à promulgação da Constituição de 1988, como a decepção com Collor e os sucessivos fracassos dos planos econômicos que pretendiam acabar com a hiperinflação – o Brasil viveu e comemorou o milagre do Plano Real e suas consequências como o reequilíbrio das contas públicas graças à Lei de Responsabilidade Fiscal e a redução gradativa das desigualdades sociais, e, ainda, ao processo moralizador da Lei da Ficha Limpa. Parecia que, como havia preconizado Tancredo Neves, o Brasil vivia realmente um novo período da sua história, por ele chamado de Nova República.
O Judiciário embarcou com entusiasmo nesse saneamento moral graças, em grande medida, à coragem do ministro Joaquim Barbosa que desnudou para a nação o criminoso esquema do mensalão que colocou na prisão cabeças coroadas do setor público e privado.
Coube a Sergio Moro, à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba, dar seguimento ao combate à corrupção com a Operação Lava Jato que, em suas 70 operações, condenou 165 pessoas (a maioria políticos e empresários) e recuperou R$ 6 bilhões para os cofres públicos e empresas estatais, sem contar a economia gerada ao estancar a “corrupção sistêmica, estrutural e endêmica” como a ela se referia um dos ministros do STF. Entre os presos estavam um ex-presidente da República, um ex-presidente da Câmara dos Deputados, governadores e ex-governadores e ministros e ex-ministros de Estado.
Mas, o sistema reagiu porque, afinal de contas, era preciso “estancar essa sangria” por meio de um acordo “com o Supremo, com tudo”, como desabafou, em um áudio descoberto pela imprensa, um senador investigado na ocasião. Executivo, Legislativo e Judiciário se uniram em ações que desmontaram o sistema anticorrupção como, por exemplo, desfigurando a lei de iniciativa popular denominada “Dez medidas contra a corrupção” com a inclusão de brechas para criminalizar juízes.
Congresso Nacional e o Palácio do Planalto
Congresso Nacional e o Palácio do Planalto Crédito: Ricardo Stuckert
A reação do sistema incluiu também a desmobilização das forças-tarefas da Lava Jato, o fim das prisões dos condenados em segunda instância, e o ato de jogar na lata de lixo os processos e as provas reunidas contra os condenados por corrupção ao ser fabricada a tese, cinco anos depois, de que tais processos deveriam ter sido julgados em outro foro ao invés da 13ª Vara Federal de Curitiba. Não faltou, ainda, a perseguição aos promotores e juízes que atuaram nas condenações que foram, uma a uma, simplesmente anuladas.
Sem falar nas decisões monocráticas de ministros do STF que, em sequência, suspenderam os pagamentos de acordos de leniência firmados por empreiteiras e multas bilionárias de grupos empresariais, apesar das reiteradas confissões de culpa dos condenados. Não é por outro motivo que os escândalos voltaram, assim como as montanhas de dinheiro vivo encontrados em poder de deputados acusados de desvios nas emendas parlamentares.
Folletto tem razão, “o povo está cansado e as coisas não mudam”, infelizmente. Até quando isso continuará? Com a palavra, o eleitor.
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