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Meio ambiente

Por que o Brasil precisa de uma nova política para a Amazônia?

Mourão precisa convencer Bolsonaro a abandonar seus equívocos e mudar radicalmente a política do governo com relação à Amazônia, que hoje está a mercê de uma exploração dos recursos naturais criminosa e sem controle

Publicado em 24 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

24 jul 2020 às 05:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Área de pasto queimado as margens da Br-319 próximo a Humaitá . A cidade do sul do Amazonas, está no entroncamento da BR-319 com a Rodovia Transamazônica que é a região com maior taxa de desmatamento do estado
Área de pasto queimado no Amazonas: incêndios criminosos aumentam e desmatamento bate recordes Crédito: Lalo de Almeida/Folhapress
É possível acreditar nas promessas do vice-presidente Hamilton Mourão quando ele diz que o governo Bolsonaro vai mudar a sua política com relação à Amazônia? Possível é, mas é muito difícil. Porque, até hoje, o que o governo Bolsonaro fez foi prejudicar o controle do desmatamento, debilitar a capacidade operacional do Ibama e do ICMBio e estimular as ações de grilagem e de garimpo na região.
Basta recordar que, no ano passado, diante da divulgação das estatísticas que demonstravam um desmatamento recorde, o presidente afastou o diretor-geral do Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Ricardo Galvão. Gesto que o ministro de Ciência e Tecnologia acaba de repetir ao exonerar a pesquisadora responsável pelos dois principais sistemas de monitoramento do desmatamento da Amazônia, o Deter e Prodes, cujos resultados são referências internacionais.
Essas exonerações são emblemáticas quando se sabe que, tanto no ano passado quanto neste ano, as taxas de desmatamento têm batido recordes históricos. Em junho, foi devastado 1 mil km² de florestas, área equivalente à cidade do Rio de Janeiro. O índice é 10% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado e o maior da série histórica para o mês de junho desde que que o indicador passou a ser monitorado.
É difícil acreditar em uma mudança da política ambiental do governo quando se vê que o ministro do Meio Ambiente está mantido no cargo. O mesmo ministro que, na famosa reunião ministerial de 22 de abril, declarou que Bolsonaro deveria aproveitar que a atenção da imprensa estava voltada para a evolução da Covid-19 para “passar a boiada” de normas de desregulamentação da ocupação da Amazônia.
A presença do vice-presidente Hamilton Mourão no comando do Conselho da Amazônia permitiu, quando nada, que fossem ouvidos os argumentos do grupo de investidores estrangeiros que aguarda do governo ações práticas no combate ao desmatamento para investir no Brasil. E também dos 40 empresários brasileiros que cobram mudanças na atual política ambiental que está prejudicando a comercialização de produtos brasileiros no exterior.
Mourão admitiu que as ações contra o desmatamento começaram “tarde”, já que deveriam ter sido iniciadas há seis meses. Ficou também evidente que o governo ainda não tem um plano para reduzir o desmatamento. Por isso, na reunião com os empresários brasileiros, o vice-presidente preferiu não fazer “promessa” que não irá “cumprir”.
Com promessas ou sem promessas, Mourão tem que, primeiro, desempenhar uma missão espinhosa: a de convencer o presidente da República a abandonar os seus equívocos e mudar radicalmente a política do governo com relação à Amazônia, que hoje está a mercê de uma exploração dos recursos naturais criminosa e sem controle algum.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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