Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Política

Quem de fato acabou com a Operação Lava Jato?

A história do Brasil haverá, no devido tempo, de dar o verdadeiro valor à trajetória de sucesso da Lava Jato e de todos que nela se empenharam para livrar o Brasil da corrupção sistêmica

Publicado em 08 de Abril de 2022 às 02:00

Públicado em 

08 abr 2022 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Operação da Polícia Federal
Polícia Federal deflagra 79ª Fase da Operação Lava Jato – Operação Vernissage Crédito: Polícia Federal/ Divulgação
Operação Lava Jato estaria completando oito anos se não fosse o desmonte comandado pelo procurador-geral da República Augusto Aras. Foi o procurador Aras quem, em fevereiro do ano passado, extinguiu as forças-tarefas da operação cuja criação havia sido iniciada em março de 2014. Mas é Augusto Aras o único responsável pelo fim da maior iniciativa de combate à corrupção no Brasil? É evidente que não.
Ao lado de Aras, também como um dos responsáveis pelo fim da Lava Jato, está o presidente Bolsonaro que foi quem o indicou para a PGR. É de Bolsonaro a famosa frase dita em outubro de 2020: “Eu acabei com a Lava Jato porque não tem mais corrupção no governo”. É claro que não foi só Bolsonaro quem acabou com a Lava Jato e ninguém, em sã consciência, pode dizer que não há corrupção no governo depois das denúncias feitas pela CPI da Covid-19 e escancaradas na distribuição das verbas do Ministério da Educação.
Mas que a frase comprova a cumplicidade do presidente no processo de desmonte, não há dúvida. Basta lembrar que Bolsonaro, para aparelhar a Polícia Federal com pessoas de sua confiança, empurrou o então ministro Sérgio Moro – o ex-juiz responsável pela maior parte das condenações da Lava Jato – para fora do governo.
É também responsável pelo desmente da Lava Jato uma boa parte dos políticos, tanto os que se situam nos extremos da direita (bolsonaristas) e da esquerda (lulistas), como no conhecido Centrão. É que entre eles está uma grande parte dos investigados, denunciados e condenados pela Lava Jato como, por exemplo, o ex-presidente Lula.
Foram os políticos que em agosto do ano passado aprovaram no Senado, por 55 votos a 10 (e uma abstenção), a recondução de Aras ao posto de procurador-geral da República. São os políticos que engavetaram no Congresso o projeto que estabelece a prisão após condenação de segunda instância e desidrataram o pacote anticrime que havia sido gestado pelo então ministro da Justiça Sérgio Moro.
Mas o maior responsável pelo fim da Lava Jato é o Supremo Tribunal Federal. Foi o Supremo que, recorrendo a tecnicalidades – como discutir a competência do foro mesmo que o processo tenha se iniciado há cinco anos, e decidir que o juiz julgador de primeira instância foi parcial mesmo que os tribunais de segunda instância tenham confirmado e até aumentado a pena dada na sentença inicial – iniciou uma onda de soltura de presos e de anulações de processos que jogam no lixo boa parte do combate à corrupção feito no Brasil.
Para completar o desmonte – e acrescentar a ele o ódio e a vingança dos condenados – o STJ acaba de tomar uma decisão inacreditável: condenou Deltan Dallagnol a indenizar Lula por ter apresentado, em 2016, em pleno exercício de suas funções como procurador, as acusações contra o petista em um powerpoint. A decisão absurda faz o Brasil repetir o que aconteceu com a Operação Mãos Limpas italiana: a punição de quem teve a coragem de combater o crime.
O saldo das realizações da Operação Lava Jato é admirável: em suas 80 fases operacionais, efetuou 132 prisões preventivas e apresentou 130 denúncias contra 533 acusados que resultaram em 278 condenações de 174 réus, entre os quais cabeças coroadas de nossa política e do mundo empresarial. É evidente que não foi fácil punir tantos poderosos. Fica fácil, entretanto, entender como os poderosos se empenharam tanto em acabar com a maior iniciativa de combate à corrupção da história do Brasil.
É fácil, também, entender por que tantos políticos tentam reescrever a história para passar de acusados a acusadores, levantando calúnias contra quem teve a coragem de puni-los. Mas a história do Brasil haverá, no devido tempo, de dar o verdadeiro valor à trajetória de sucesso da Lava Jato e de todos que nela se empenharam para livrar o Brasil da corrupção sistêmica que tantos prejuízos causa ao povo brasileiro.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Dois acidentes deixam 5 feridos em Itapemirim e Rio Novo do Sul
Dois acidentes deixam cinco feridos no Sul do ES em menos de 12 horas
Polícia investiga atropelamento de cadela em Santa Maria de Jetibá
Vídeo mostra caminhonete atropelando cadela no ES; polícia investiga
Carteira de trabalho digital.
Carteira assinada segue valiosa, mas liberdade de escolha também passou a ser

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados