O ano de 2025 caminha para o final envolto em destruições, bombas e ameaças de mais guerras. O cessar-fogo em Gaza não representa muita coisa já que o território continua dividido entre Israel e o Hamas, não há sinais de aceitação da criação do Estado da Palestina independente nem indícios de que o Hamas vá se render e se desarmar.
Na Ucrânia, as propostas de paz são respondidas com mais ataques e ameaças da Rússia que rechaça qualquer recuo com relação aos territórios invadidos e ocupados. No Caribe, aumenta o cerco de Trump à Venezuela, continuam os ataques a barcos que supostamente levam drogas para os Estados Unidos e se repetem as ameaças de ações terrestres, ao mesmo tempo em que os cidadãos norte-americanos são orientados a saírem do território venezuelano imediatamente.
Na diplomacia, o multilateralismo – reconhecidamente o melhor caminho para a paz mundial – continua ferido de morte pelo autoritarismo explícito dos comandantes de duas das maiores economias do mundo, as dos Estados Unidos e da Rússia. Donald Trump e Vladimir Putin parecem dispostos a recriar, com cores atuais, os tempos de tensão política e econômica da Guerra Fria que tantos prejuízos causaram ao mundo entre o fim da Segunda Guerra e o início dos anos 1990.
A União Europeia tenta se equilibrar entre esses dois polos, fustigada, de um lado, pelo tarifaço norte-americano e, por outro, pelas ameaças dos russos de incluí-la no cenário da guerra.
O presidente Trump, ao mesmo tempo em que embaralha a economia mundial com a onda de tarifaços, posa de paladino da paz. No dia 4, reuniu os líderes da República Democrática do Congo e de Ruanda no Instituto da Paz, em Washington, para assinatura de um acordo. Apesar da iniciativa, confrontos armados continuam a ocorrer no Congo.
Com relação à invasão da Ucrânia pela Rússia, Trump parece sinceramente empenhado, ainda sem sucesso, em costurar um improvável acordo de paz. Se conseguir um cessar-fogo, estaria disposto a participar de uma força militar de paz internacional para garantir o cumprimento do acordo. Enquanto isso, recebe da Fifa o prêmio da paz em plena cerimônia de sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026.
Mas Trump, ao mesmo tempo, age como incendiário ao patrocinar um cerco militar à Venezuela. Há 5 mil militares americanos no Caribe próximos ao território venezuelano. É a maior presença militar norte-americana na América Latina desde 1989, quando ocorreu a invasão do Panamá. Recentemente, Trump afirmou que qualquer país envolvido com tráfico de drogas para os Estados Unidos poderiam ser alvo de ações militares. No dia 29, Trump anunciou que o espaço aéreo “sobre” e “nos arredores” da Venezuela foi fechado “por completo”.
No meio desse tiroteio, o Papa Leão XIV prega incessantemente a paz. Pede o fim dos conflitos, o diálogo e as orações, convidando os fiéis a serem “construtores de uma paz desarmada e desarmante” baseada no perdão, na fraternidade e na justiça. Palavras que, infelizmente, passam longe dos ouvidos dos atores das guerras e nem são consideradas por eles. Em visita ao Líbano, no dia 1º, o papa citou a “humanidade comum” e a “crença em um Deus de amor e misericórdia” como fontes de esperança e encorajamento na busca pela paz.
Diante de todos esses fatos, o balanço do cenário mundial que pode ser feito do ano 2025 não pode deixar de considerar o cenário doloroso de milhares de perdas de vidas humanas, e o sofrimento e a destruição causados pelas guerras. O que nos mostra ainda estarmos longe, muito longe, da paz sonhada pelo Papa Leão XIV.
Que a proximidade do Natal nos faça não perder a fé e, apesar dos pesares, tentarmos ter forças para chegar o mais próximo possível de ser um dos “construtores de uma paz desarmada e desarmante” conclamada pelo papa.