Acho que se soubéssemos há um ano e meio, quando a Covid-19 chegou ao Brasil, que esta pandemia duraria tanto tempo, iríamos todos pedir para dar um tempo, “desligar de tudo” e retornar quando acabasse. A resiliência é adquirida no decorrer do processo. A verdade é que a situação melhorou, reduziram-se brutalmente internações e mortes, a situação dos hospitais e leitos de terapia intensiva tem um “refresco” bem-vindo e necessário, para algum alívio das equipes de saúde.
Mas não acabou! O vírus sofre mutação, e novas variantes surgem. A novidade do momento é a variante Delta, que surgiu no desastre do continente indiano assolado por uma expansão desenfreada da pandemia. A Delta se propaga com muito mais velocidade, acredita-se que bem mais rápido do que os dez a quinze minutos de contato próximo que exigiam a cepa original chinesa.
Essa é a principal razão da necessidade de se manter rigoroso uso de máscaras em contato próximo com outras pessoas, especialmente em ambientes internos, mesmo entre pessoas vacinadas. Essa medida continua atualíssima, mesmo que os irresponsáveis de sempre continuem em suas campanhas contra máscaras.
Como as mutações ocorrem no domínio de ligação da proteína da espícula às células humanas, ocorre algum escape do vírus aos anticorpos gerados pelas vacinas. Todas as vacinas perdem um pouco de efeito contra a variante Delta já poucos meses após a aplicação. Persiste boa proteção contra casos graves e óbitos, mas reduz muito a proteção contra adoecer e transmitir a doença.
Em virtude do avanço rápido da variante Delta, da exaustão nítida de todos com o longo confinamento e, ainda, nossa tradicional pouca disciplina com distanciamento prudente e máscaras, vamos assistir a um novo aumento de contágios nas próximas semanas.
Creio e espero que, com o avanço da vacinação, não teremos pressão de hospitalização e óbitos. Mas estou preocupado com os muitos idosos, em especial os acima de 70-80 anos que foram vacinados há 6 meses, a maioria com vacinas inativadas, de duração de proteção mais curta. Essas pessoas são especialmente vulneráveis a casos graves e óbitos com a variante Delta.
Penso que antes de vacinar adolescentes é essencial proteger os avós deles com uma nova dose de vacina. Afinal, estão correndo mais risco. Entendo também que como devem chegar enormes quantidades de vacina Pfizer a partir de agora, merece ser discutido completar vacinação atrasada com Pfizer. Pelo menos com aqueles vacinados incialmente com AstraZeneca, tal esquema híbrido parece ser extremamente protetor.