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Saúde

Antibióticos: pesquisa sueca mostra quais são os mais devastadores

Antibióticos devem ser usados com moderação. Os médicos precisam ser cuidadosos na prescrição

Publicado em 26 de Março de 2026 às 05:01

Públicado em 

26 mar 2026 às 05:01
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

lauropintoneto@gmail.com

Nos últimos dias, temos ouvido falar de, e mesmo visto, inúmeros casos de gripe no Estado. Nestas épocas de viroses respiratórias em alta, sempre me preocupa o uso abusivo de antibióticos que, em infecções apenas virais, nada ajudam e aumentam o risco de resistência bacteriana, tornando o antibiótico ineficaz quando de fato se necessitar dele.
Na verdade, há mais riscos ainda. Uma nova pesquisa publicada agora em março na revista Nature Medicine, liderada por pesquisadores da Uppsala University da Suécia, mostrou que alguns antibióticos interferem no microbioma intestinal com consequências que podem durar até 8 anos.
Os autores comentam que estudos observacionais têm mostrado que o uso recorrente de antibióticos pode ser associado a um risco aumentado de obesidade, diabetes tipo 2, doença cardiovascular e mesmo câncer, potencialmente por distúrbios importantes do microbioma (popularmente conhecido como flora intestinal). Esses distúrbios provavelmente consistem essencialmente na redução na diversidade das espécies de bactérias intestinais.
O efeito de antibióticos na flora intestinal é bem conhecido no curto prazo e uma recuperação importante da flora ocorre em semanas, bastando para tal uma alimentação saudável. Os efeitos a longo prazo ainda não tinham sido estudados até agora. Os pesquisadores suecos usaram o rigoroso Registro Nacional de Drogas Prescritas e cruzaram dados obtidos de estudos metagenômicos fecais de 14.979 adultos, observando consequências do uso de antibióticos entre 1-4 e 4-8 anos depois deste uso.
Não é possível ter acesso a um antibiótico na Suécia sem uma receita médica rigorosamente registrada para supervisão das autoridades sanitárias. Cada curso de antibióticos, para tratar uma determinada infecção, levava ao desaparecimento de 25 a 50 espécies bacterianas do microbioma intestinal.
Os antibióticos com ação mais devastadora e duradoura no microbioma intestinal foram flucloxacilina (não existe no Brasil), as quinolonas e clindamcicina. Depois macrolídoes (azitromicina e claritromicina) e tetraciclinas também tinham ação significativa (uma espécie de pelotão intermediário de agressão à flora intestinal).
Os antibióticos menos agressivos à flora foram penicilinas, amoxacilina, nitrofurantoína (usado para tratar cistite) e sulfametoxazol-trimetroprim. O uso de clindamicina e quinolonas podiam reduzir em 10% a diversidade da flora intestinal por até 8 anos.
Enfim caro leitor ou leitora, antibióticos devem ser usados com moderação. Os médicos precisam ser cuidadosos na prescrição. Seus efeitos podem ser bem indesejáveis.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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