Após dois longos anos de pandemia, os altos índices de vacinação permitem dias mais calmos nos hospitais e serviços de saúde. No entanto, um novo desafio vai se tornando cada vez mais presente no dia a dia: lidar com sintomas persistentes, os mais diversos, nas pessoas que tiveram Covid.
Os primeiros relatos surgiram de pacientes com longas internações em terapia intensiva, com pneumonia grave e longa reabilitação. Mas logo se somaram relatos de pessoas com quadros menos graves e mesmo não hospitalizados. Cada vez mais pesquisada e relatada nos diversos cantos do planeta, ainda não há consenso das diversas agências se Covid longa seria a persistência de sintomas nas 4, 8 ou 12 semanas após o diagnóstico.
Os médicos conhecem, já há tempos, a síndrome da fadiga crônica (ou encefalomielite miálgica) com discutível correlação com pós-mononucleose infecciosa, que muitas vezes intrigava o clínico. Pois a Covid longa, pela frequência e enorme contingente de populações envolvidas, promete igualmente intrigar cientistas e exigir pesquisa e estudo nos anos que virão.
Apenas o NIH dos EUA destinou quase 2 bilhões de dólares para pesquisa nesse tema. Afinal, diversos estudos já apontam que 10% a 15% das pessoas com Covid têm sintomas persistentes após 4-8 semanas de doença. Em meados do ano passado, quase 1 milhão de britânicos (1,5% da população) tinham queixas de Covid longa, segundo a revista The Lancet.
Os sintomas são muito variados: os mais comuns são tosse, fraqueza, falta de ar e cansaço fácil. Mas também dor de cabeça persistente, desmaios ou síncopes (queda de pressão súbita), dificuldade de concentração, lapsos de memória e insônia. Queixas mais simples podem se tornar extremamente desconfortáveis quando persistentes, como a perda do olfato ou paladar. Nem as crianças são poupadas, elas também podem ter doença persistente.
Diversas pesquisas em andamento no mundo tentam explicar se existe alguma persistência de ativação viral, ou mais provavelmente uma resposta imune e inflamatória desordenada que resulte em permanência de sintomas. Uma abordagem multidisciplinar tem sido efetuada em vários centros no mundo.
Estimular o retorno à rotina do trabalho, a atividades físicas de acordo com a tolerância, a procurar uma boa higiene do sono são medidas simples e eficazes em grande parte dos casos. Ainda não há pílulas simples disponíveis para devolver a qualidade de vida perdida. Vacinar com todas as doses disponíveis ainda é o melhor cuidado de prevenção disponível.