As cenas de destruição da “operação militar especial” de Vladimir Putin na Ucrânia nos trazem imagens de atrocidades de guerra que não supúnhamos que pudessem ocorrer de novo na Europa. Graças à prudência exigida de evitar um confronto nuclear, os EUA e a Europa optaram por pressão econômica e sanções. Melhor...
País com tradição guerreira um tanto exacerbada, os EUA têm no governo um Departamento de Assuntos de Veteranos que propicia assistência médica por toda a vida àqueles que pegaram em armas pelo país, em 170 centros médicos especializados e centenas de clínicas ambulatoriais. Em razão das frequentes guerras que travaram, o Departamento de Veteranos tem registros médicos muito numerosos e organizados.
A prestigiada revista Nature Medicine publicou no mês passado dados de 153.760 veteranos americanos que tiveram Covid-19, acompanhados ao longo de um ano e comparados com cerca de 11 milhões de veteranos sem a doença acompanhados no mesmo tempo.
Demonstraram com essa enorme amostragem que os veteranos que tiveram Covid-19, ao longo de um ano, tinham maior risco de acidente vascular cerebral, arritmias, além de infarto do miocárdio e insuficiência cardíaca. Os pesquisadores chamam a atenção que também acharam grande incidência de miocardites e pericardites após o episodio de Covid em uma proporção de risco muito maior que os raros casos associados às vacinas de RNA que continuam a assombrar tanta gente boa nas redes sociais.
Todos esses episódios tiveram clara correlação com a gravidade da Covid, mais frequentes nos internados em UTI, depois nos demais hospitalizados, mas também foram detectados em casos leves, embora em frequência bem menor. Os pesquisadores especulam as causas desses achados ainda não muito claros, se efeitos de ação direta do coronavirus ou da resposta imune/inflamatória do nosso organismo.
No mês passado, em março, a Nature, de novo, publicou também estudo de peso do banco de dados do Biobanco do Reino Unido, que envolve registros de meio milhão de britânicos. Pois 785 pessoas, entre 51 e 81 anos, foram submetidos a exames de imagem do cérebro antes e em média quatro meses depois da Covid, comparados com controles não infectados, e observaram frequente perda de massa cinzenta em áreas de percepção de olfato e até redução do volume encefálico. Essas alterações foram observadas mesmo em pessoas que tiveram Covid leve e apresentaram algum déficit cognitivo.
Àqueles ainda muito assombrados com as vacinas deveriam ter, em verdade, mais cautela com a Covid. Corações e mentes agradeceriam.