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Epidemia

Olha a dengue aí de novo...

Em 2022, o Brasil viveu sua pior epidemia de dengue da história, com um milhão e meio de casos notificados e mais de mil óbitos. Neste início de 2023, os capixabas e os mineiros aqui ao lado têm sofrido com a doença

Publicado em 30 de Março de 2023 às 00:30

Públicado em 

30 mar 2023 às 00:30
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

lauropintoneto@gmail.com

Mosquito Aedes Aegypti, transmissor da Dengue
Mosquito Aedes Aegypti, transmissor da Dengue Crédito: Divulgação
Quando as pessoas estão vendo um refresco nas hospitalizações por Covid-19 após anos de pandemia, eis que ressurge com força uma velha conhecida: a dengue!
Em 2022, o Brasil viveu sua pior epidemia de dengue da história, com um milhão e meio de casos notificados e mais de mil óbitos. Neste início de 2023, os capixabas e os mineiros aqui ao lado têm sofrido com a doença. Em nosso Estado foram 19 óbitos confirmados e mais de uma dezena em investigação.
Há várias possíveis explicações para essas novidades: os últimos surtos ocorreram antes de 2018. Esse intervalo, potenciado pelo confinamento da pandemia, aumentou a população suscetível. É possível que o aquecimento global também interfira. Estamos no início do outono e o calor está inclemente. Choveu muito também! Em todo o Brasil, os reservatórios nunca estiveram tão cheios. O Cantareira está em níveis só atingidos há mais de dez anos. Como continuamos essencialmente desleixados com o lixo urbano, a proliferação de mosquitos está garantida.
As pessoas precisam ficar atentas que a dengue, ao contrário da Covid, gripe e outras viroses respiratórias, não causa tosse ou nariz escorrendo. Causa muita dor de cabeça e prostração. Um alerta importante para o capixaba é que, na dúvida, deve cuidar com carinho da hidratação. A prevenção da dengue grave, antigamente chamada de dengue hemorrágica, consiste na hidratação adequada. Por exemplo, uma pessoa com essa doença, com 70 Kg, deve tomar no mínimo 4 litros de líquido ao dia, sendo 1/3 de soro oral, Gatorade, ou outra solução salina qualquer. Muitas vezes as pessoas com dengue sentem enjoos e têm dificuldade para ingerir um copo inteiro de líquido de uma só vez. Por isso, orientamos tomar “de gole em gole” o tempo todo, com uma garrafinha ao lado. São medidas simples que previnem complicações.
Breve teremos novas vacinas disponíveis contra a dengue. A vacina do Instituto Butantã está em fase final de análise. A vacina da farmacêutica japonesa Takeda, chamada pelo sugestivo nome de Qdenga, já foi aprovada pela Anvisa. Mostrou mais de 80% de eficácia, com proteção de mais de 90% contra hospitalização pela dengue. Pode ser usada por quem nunca teve a doença, ao contrário da que existia até então.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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