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Varíola dos macacos

Quais são os riscos reais da monkeypox?

Não tenho dúvidas de que logo teremos muitos casos. Precisamos de testes, mais rápidos, descentralizados e disponíveis com agilidade

Publicado em 11 de Agosto de 2022 às 00:30

Públicado em 

11 ago 2022 às 00:30
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

lauropintoneto@gmail.com

Crédito:
A palavra "pox", do inglês, pode ser traduzida como pústula. É um nome genérico que foi aplicado a doenças de pele como varicela e até mesmo sífilis, no passado. Hoje é mais usada para caracterizar doenças da “família pox” que evoluem com manchas, bolhas e depois pústulas e crostas.
O principal vírus da “família pox” (Poxviridae) é o vírus da varíola, doença que foi um flagelo da humanidade até sua bem-sucedida erradicação, em 1980. A “varíola maior” tinha taxa de mortalidade muito elevada, de 1/3 das pessoas acometidas. Uma das prováveis razões para o surgimento desse elevado número de casos de monkeypox é, exatamente, a queda de imunidade contra varíola com a suspensão da vacinação de rotina após erradicação da doença há mais de quatro décadas.
Afinal, existe uma razoável imunidade cruzada de anticorpos contra vírus de integrantes dessa família. Os vírus “pox” também têm uma característica de “saltar” espécies com facilidade, de outros animais para o homem. Vemos, por vezes, casos de varíola bovina (cowpox) em pessoas do meio rural, inclusive aqui no Estado.
Os macacos, na verdade, não têm relação estreita com a monkeypox como o nome sugere. Apenas o vírus foi isolado originalmente em macacos, mas são roedores os reservatórios principais. A doença era restrita ao continente africano até recentemente, com raros casos em outros países.
Em maio deste ano, um surto global se iniciou, tendo como provável fator desencadeante grandes festas e encontros ocorridos na Espanha, Bélgica e alguns outros pontos da Europa, com intensa atividade sexual. Embora não seja classicamente uma infecção sexualmente transmissível, já que ainda persistem dúvidas sobre transmissão sexual, não parece mais haver dúvidas de que o contato íntimo com a pele das pessoas contaminadas teve papel preponderante na transmissão. Gotículas de secreções respiratórias, bem como roupas e toalhas de pessoas contaminadas, também têm papel na propagação da doença.
Não há qualquer razão para pânico, já que não é uma doença que se propague com a facilidade da Covid-19, e os riscos são menores, exceto em crianças pequenas, gestantes e imunodeprimidos, pelo que sabemos até agora. A contagiosidade, porém, é longa, persistindo até que desapareçam as crostas das lesões de pele, o que pode durar até um mês.
Não tenho dúvidas de que logo teremos muitos casos. Precisamos de testes, mais rápidos, descentralizados e disponíveis com agilidade. O Ministério da Saúde repete erros passados, centralizando a realização de exames. Há necessidade de vacinas para bloqueio de surtos, pois vacinando contatos a tempo iremos impedir que adoeçam.
Precisamos de antivirais eficazes para tratar os poucos casos graves que existirão. Tendo cautela em não gerar preconceitos e estigmas, precisamos ser honestos em dizer que, no momento, as pessoas de maior risco são homens que fazem sexo com homens e têm múltiplos parceiros. Mas logo, logo, veremos casos em quaisquer pessoas em contato com pessoas infectadas.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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