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Covid-19

Reflexões da pandemia: será que aprendemos com os erros?

Hoje vamos comentar o fracasso da Europa com 4.144 óbitos por milhão de habitantes e das Américas com 4.051 óbitos por milhão de habitantes

Publicado em 20 de Outubro de 2022 às 00:01

Públicado em 

20 out 2022 às 00:01
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

lauropintoneto@gmail.com

Há duas semanas, usamos este espaço para comentar o sucesso dos países do Pacífico Ocidental no enfrentamento da pandemia, e também as poucas mortes da África em razão, principalmente, da idade média do africano de apenas 18 anos. Hoje vamos comentar o fracasso da Europa com 4.144 óbitos por milhão de habitantes e das Américas com 4.051 óbitos por milhão de habitantes.
A Europa alternou políticas de restrição e relaxamento com excessiva agilidade antes da vacinação em massa, com intenção de achatar a curva de contaminação para evitar colapso da rede de saúde, sofrendo sucessivas ondas de contágio em março de 2020, setembro de 2020 e depois dezembro de 2021.
O Velho Continente pagou o preço da população mais idosa do planeta. A idade média do europeu é de 42 anos, uma das principais razões da elevada mortalidade lá. Dois países nórdicos tiveram as mais baixas taxas de óbito no continente europeu: a Islândia e a Noruega (com 210 e 280 óbitos por milhão respectivamente). Ambas eram governadas por mulheres. Aliás, a equipe de pesquisadores da Lancet Comissions conclui que os países governados por mulheres em média se saíram melhor na pandemia.
E as Américas? Como o país mais rico do mundo, os EUA, com um gasto em saúde colossal, de mais de 10% do PIB, tiveram tantos mortos? Em primeiro lugar, uma população em média mais velha (> 35 anos), com mais comorbidades, obesidade, diabetes, doença pulmonar crônica, doença cardiovascular.
Em segundo lugar, houve imensas falhas em testagem e isolamento. Simplesmente não havia testes suficientes. O invejável CDC – Center for Disease Control – falhou em distribuir testes com eficiência. Um caríssimo sistema de saúde focado em hospitais e sofisticados centros de excelência de diagnóstico e tratamento, com escassos 2% de gastos em saúde pública, não tem tradição em rastrear contatos, isolar doentes e contactantes.
Os Estados Unidos têm o mérito de ter investido de modo maciço em vacinas. Justiça seja feita, a administração Trump criou a operação WARP SPEED para acelerar, desenvolver e produzir vacinas contra Covid. Ironias à parte, Trump, um republicano conservador é entusiasta das vacinas. No entanto, é lá onde o movimento antivacina é mais forte e dezenas de milhões de pessoas se recusaram a se vacinar, e centenas de milhares de mortes evitáveis ocorreram.
Até aqui no Brasil, muitas pessoas defenderam o “direito à liberdade, de não inocularem em seu corpo vacinas ditas experimentais...” Esses mesmos argumentos eram usados quando foram lançados os cintos de segurança de três pontos no século passado. As pessoas defendiam o “direito de não serem amarradas no seus carros”.
As redes sociais fizeram um ruído insuportável, assustando as pessoas e minando a credibilidade da ciência. Apenas o Facebook tem cerca de 2,4 bilhões de assinantes no mundo, com enorme capilaridade. Mais de 40% dos vídeos encontrados no Youtube sobre Covid-19 têm informações falsas. A radicalização política e ideológica envolveu a comunidade médica e seus órgãos de representação.
Medicações ineficazes como cloroquina e ivermectina até hoje são largamente usadas nos EUA ou aqui, ignorando que existem medicações precoces eficazes, antivirais que atuam de verdade. Será que aprendemos com os erros da condução da pandemia? Conseguiremos enfrentar as redes de desinformação com orientações claras sem interferência política indevida? Confesso que tenho muitas dúvidas...

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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