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Imunização

Reflexões sobre a eficácia das vacinas contra a Covid-19

Precisamos acelerar a vacinação com todas as vacinas disponíveis, sem escolher qual, para reduzir mais ainda transmissão através da imunidade de rebanho produzida por elas

Publicado em 15 de Julho de 2021 às 02:00

Públicado em 

15 jul 2021 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

lauropintoneto@gmail.com

Vacinas Coronavac e Astrazeneca, em uso no plano de imunização do Brasil
Vacinas Coronavac e AstraZeneca, em uso no plano de imunização do Brasil Crédito: Felipe Dalla Valle/ Palácio Piratini
Há uma semana foi divulgado o primeiro balanço da efetividade da vacinação para Covid-19 no Brasil, através de uma Nota Técnica elaborada pela Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública, Bio-Manguinhos e Fundação Getúlio Vargas.
Uma análise foi feita através do cruzamento dos dados de vacinação com o registro de casos hospitalizados ou óbitos com Síndrome Respiratória Aguda Grave por Covid-19, através dos dados reportados até 7 de junho de 2021. Em virtude da boa adesão das pessoas com 60 anos ou mais à vacinação, em que a prioridade estava condicionada basicamente à idade, foi possível uma boa fotografia da efetividade da Coronavac e da AstraZeneca, vacinas mais usadas nesses grupos etários.
Para a vacinação com esquema completo de duas doses, independente da vacina aplicada, foi encontrada efetividade na proteção contra hospitalização e óbitos, na faixa etária de 60-80 anos, de 79,8% e, para os com mais de 80 anos, de 70,3%. Nas pessoas vacinadas com duas doses da Coronavac, a efetividade nas pessoas com 60-79 anos foi de 79,6% e com mais de 80 anos, de 68,8%. Nas pessoas vacinadas com duas doses de AstraZeneca, a efetividade para as pessoas com 60-79 anos foi de 93,8% e para aquelas com mais de 80 anos foi de 91,3%.
Os resultados provam de maneira cabal os benefícios da vacinação que poderiam ser maiores se esta tivesse se iniciado mais cedo e com mais vacinas disponíveis. Pena que o bate-boca politizado de baixo nível, iniciado pelo próprio presidente, dificulte o debate sério das virtudes e defeitos da vacina do Butantan/Sinovac. Se por um lado a Coronavac foi a única vacina disponível no momento mais duro da pandemia entre nós, salvando dezenas de milhares de vidas, por outro lado, talvez seja a vacina a enfrentar com maior dificuldade as limitações da imunossenescência e as novas variantes.
O envelhecimento compromete a produção de anticorpos e a própria imunidade celular, e muitas vacinas têm menor efeito nos mais velhos. Há estudos com adjuvantes, doses maiores de antígenos, plataformas inovadoras, enfim, são várias as estratégias pensadas nas mais diversas vacinas para enfrentar este paradoxo: as vacinas funcionam menos na senilidade.
Precisamos acelerar a vacinação com todas as vacinas disponíveis, sem escolher qual, para reduzir mais ainda a transmissão através da imunidade de rebanho produzida por elas, para então discutir como proteger melhor nossos idosos mais vulneráveis, com uma terceira dose ou reforço e ainda cuidados de distanciamento em especial com os riscos de novas variantes, como a delta.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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