Convido o leitor a fazer uma reflexão comigo: caso falassem a você no início de 2020 que a pandemia chegaria ao final de 2021, como você reagiria? Tenho certeza de que todos entraríamos em pânico. As pessoas, em sua maioria, demonstraram resiliência nesta travessia.
É bem verdade que aumentou o trabalho dos psiquiatras e psicólogos e a demanda por soníferos e tranquilizantes. Creio que muitos de nós perdemos conhecidos, parentes, amigos. No entanto, nestes meados de novembro, a taxa de contágio de Covid-19 segue abaixo de 1 no país e o número de casos e mortes segue em queda.
Embora desigual, bem melhor no Sul e Sudeste e pior no Norte e Nordeste, a vacinação avança, em especial nos grupos mais vulneráveis. O Brasil tem uma tradição de confiança em vacinas, não importa o barulho que muitos (inclusive médicos) tentam fazer para confundir as pessoas.
Na Europa, Portugal e Espanha lideram a vacinação com mais de 80% da população totalmente protegida, e redução muito significativa de casos e óbitos. Por outro lado, a Rússia, com pequeno percentual de habitantes vacinados, segue com muitas mortes. Aumentam casos até na Alemanha, onde persistem bolsões importantes de não vacinados e populações idosas sem reforço.
Estamos há poucas semanas do fim do ano, com as festividades de Natal e ano-novo bem próximas. Muitas famílias estão ansiosas para confraternizar e rever entes queridos. Após tanto sofrimento e perdas, tantas restrições e medo, há um desejo genuíno por celebrar a vida e confraternizar. As vacinas todas se mostraram eficazes para proteção de hospitalização e mortes.
No entanto, sua eficácia cai com o tempo, e a proteção contra infecção pela variante delta é menor. Ou seja, mesmo vacinados podem pegar uma forma leve e transmitir. O estrago feito pela variante gama entre nós, nos meses de abril e maio, à custa de um numero obsceno de mortes, ajudou a criar uma imunidade protetora contra a delta. Muitos capixabas estão atrasados para a segunda dose e muitos idosos vulneráveis ainda não receberam o reforço.
Se queremos festejar Natal e ano-novo com o menor risco possível é fundamental colocar em dia essas vacinas atrasadas, acelerar vacinação de adolescentes e iniciar vacinação de crianças. De acordo com o boletim da vigilância sanitária do Ministério da Saúde, até novembro de 2021, morreram 1349 crianças e adolescentes até os 19 anos de idade por Covid-19 no país. Nenhuma doença infecciosa isolada causou isso. É razão mais que suficiente para vacinarmos, e logo.