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Pandemia

Vacinas contra a Covid-19: a História mostra que há esperança

Mesmo com desvios e atrasos com novas variantes do coronavírus, a ciência saberá adaptar as vacinas quantas vezes for necessário

Publicado em 08 de Abril de 2021 às 02:00

Públicado em 

08 abr 2021 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

lauropintoneto@gmail.com

GERAL - BRASILIA, COVID-19, VACINAÇÃO DRIVE-THRU CORONAVAC -Profissional de saúde nesta quinta-feira, 18 de março, prepara uma dose da vacina CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan, antes de aplicar em idoso em um drive-thru. 18/03/2021
A agonia que todos vivemos hoje tem seus dias contados com a descoberta de diversas e inovadoras vacinas Crédito: MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Era uma quente manhã de julho, quando uma mãe aflita chegou à cidade de Paris, vinda de um lugarejo da Alsácia com seu filho de 9 anos, ferido por inúmeras mordidas de um cachorro louco. O ano era 1885 e o garoto se chamava Joseph Meister. A mulher ouvira falar de um médico que fazia experimentos com a raiva, uma doença mortal. No início da tarde, um jovem médico de um hospital de Paris levou a senhora e seu filho ao laboratório de Louis Pasteur, onde este mantinha um canil abarrotado de cachorros doentes.
Pasteur havia descoberto que inocular o vírus da raiva em medula espinhal de coelhos e submeter o material a ressecamento tornava o vírus não infeccioso. Sob pressão do choro de uma mãe desesperada em salvar a vida do filho, Pasteur levou o garoto ao Hotel Dieu, onde o inoculou repetidas vezes com sua suspensão de medula de coelho ressecada. Durante três longas semanas Pasteur acompanhou o jovem Meister até sua completa recuperação, salvando-lhe a vida e registrando o primeiro caso de prevenção de uma doença mortal após exposição à mesma.
O jovem Meister viria a trabalhar como zelador no Instituto Pasteur e sobreviveu até 1940, morrendo com a invasão da França pela Alemanha nazista. Através de suas pesquisas, Louis Pasteur abriu as portas para vacinas feitas com vírus inativados por processos físicos ou químicos, e recebeu o Prêmio Nobel em 1907.
Um outro avanço extraordinário no mundo das vacinas ocorreu quando Max Theiler, em 1937, atenuou o vírus da febre amarela, forçando-o a crescer em células não humanas, primeiro em camundongos, depois em embriões de aves. O vírus sofria, assim, alterações genéticas, que o tornavam menos capaz de causar doença, mas ainda capaz de induzir imunidade protetora.
Theiler, um virologista sul-africano, recebeu o prêmio Nobel em 1951 por suas descobertas que abriram outra porta, a atenuação de vírus para seu uso, para causar resposta imune. Posteriormente, outros vírus, como da poliomielite e do sarampo, foram atenuados, produzindo poderosas vacinas.
A agonia que todos vivemos hoje, com a pior pandemia em 100 anos, tem seus dias contados com a descoberta de diversas e inovadoras vacinas. Novas fronteiras estão abertas na ciência. Pena que tenhamos desperdiçado tempo e vidas com o flerte inicial do governo com o movimento antivacinas. Mesmo com desvios e atrasos com novas variantes do coronavírus, a ciência saberá adaptar as vacinas quantas vezes for necessário. Basta olhar a História e os heróis do passado para acreditar que há luz no fim do túnel, por mais trombadas desastrosas que façamos no percorrer do mesmo.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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