A tempestade de casos de Ômicron em janeiro tem turvado o ano novo com os velhos sentimentos de angústia e medo que tanto nos torturaram nesses dois longos anos de pandemia. É curioso notar que as polarizações se aguçam de novo, e as pessoas hesitantes com vacina as culpam por não terem impedido o novo surto.
É bem verdade que as vacinas cumpriram sua missão de prevenção de doença grave e morte, mas não na prevenção do adoecimento pela variante, ainda que esta seja mais leve nos vacinados. Obviamente vai ser necessário adaptar as vacinas às novas variantes, como ocorre com a vacina da gripe, o que irá melhorar eficácia na prevenção da infecção, além da gravidade.
Temos visto pessoas muito idosas e vulneráveis, mesmo com reforço, terem até mesmo essa proteção reduzida contra gravidade, após 4 meses, e desenvolvendo formas mais severas, pressionando leitos de UTI. Ou mesmo indo a óbito. Afinal, o sistema imune dos idosos também envelhece, já o sabemos. Enquanto não houver adequação das vacinas às novas variantes, novos reforços das antigas serão necessários, até com intervalos mais curtos.
Após dois anos de pandemia, o desgaste das medidas de restrição, que salvaram vidas em momento de estresse intenso dos serviços de saúde, resulta na volta ao normal do transporte, comércio, bares, entretenimentos os mais diversos, onde as pessoas se encontram e tocam a vida, e onde a máscara, com frequência, está no bolso ou abaixo do queixo.
Nesse contexto não fazem o menor sentido novas restrições às escolas. O prejuízo à educação, o aumento da evasão escolar, as perdas no processo de aprendizagem, que podem levar muitos anos para serem corrigidas, são muito maiores que impactos marginais que novo adiamento de início das aulas poderia trazer. Até porque a maioria substantiva desses alunos já está exposta no dia a dia de seu entorno nos bairros em que vivem.
Temos que conviver com o vírus, agora que temos as conquistas trazidas pelas vacinas, vencer a hesitação e desinformação que ainda as atingem, correr com a vacinação das crianças, sem lhes trazer mais prejuízos na socialização e aprendizado. É uma pena que o espírito cordial e informalidade de nossa gente não combine com disciplina no comportamento um pouco mais cuidadoso, com uso de boas máscaras nas atividades cotidianas. Em breve teremos antivirais para tratamento precoce real, de eficácia verdadeira, sem propaganda enganosa. Mas isso é assunto para outro artigo.