A economia brasileira tem apresentado números positivos nos últimos meses. O PIB do segundo trimestre deste ano, divulgado no início do mês, mostrou um crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado, resultado bem acima das expectativas. A taxa de desocupação é a mais baixa da série histórica do IBGE, estando atualmente em 6,8%.
Nesse cenário, o mercado interno está aquecido, o consumo cresce e a indústria nacional está num ponto de taxa de ocupação de capacidade já bem elevado, indicando a necessidade de investimento na capacidade produtiva do país, para que a gente consiga manter e ampliar esse ritmo de crescimento e geração de empregos.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em julho deste ano, mostra o nível da utilização da capacidade instalada (UCI) no país, indicando a percentagem com que o parque industrial está operando no momento. No Brasil, esse índice é de 71%. No Espírito Santo, é de 76%, o maior do Sudeste e o segundo maior do país.
No nosso caso específico, fica evidente a necessidade de linhas de crédito do Estado, do Bandes e do Banestes, para que possamos dar continuidade ao desenvolvimento local, tendo em vista que as indústrias estão operando bem, ocupando sua capacidade. Contudo, para investir no aumento da capacidade produtiva, as empresas dependem também de crédito.
No Brasil, tivemos na semana passada uma ótima notícia: foi publicada a portaria do governo federal que regulamenta a chamada depreciação acelerada, prevista na Lei nº 14.871, de 28 de maio deste ano. O objetivo é justamente modernizar a indústria e fortalecer a competitividade das empresas.
A depreciação acelerada permite às empresas a aquisição de máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos novos, fomentando o investimento produtivo, favorecendo a modernização do parque fabril e a ampliação da capacidade produtiva do país. A iniciativa inclusive faz parte da pauta mínima da Agenda Legislativa da Indústria 2024, entregue pela CNI ao Congresso Nacional em março deste ano.
As empresas são incentivadas a adquirir máquinas e equipamentos com custo financeiro reduzido. A dedução do valor pago pela compra do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) pode ser feita em até dois anos. No Espírito Santo, poderíamos avaliar instrumento semelhante, permitindo o uso do crédito do ICMS mais rapidamente para os equipamentos.
Outra questão a ser atacada, para ampliar o ritmo de crescimento e a geração de empregos no país, é a taxa de juros, hoje em 10,5%, uma das mais altas do mundo, perdendo apenas para Turquia e Rússia.
A inflação está sob controle, com o país inclusive registrando dias atrás a primeira deflação em 14 meses, o que demonstra que vivemos uma política monetária contracionista. Isso vem desde fevereiro de 2022, dificultando o crescimento econômico.
Esse cenário é bem diferente do que verificamos em outros países em desenvolvimento, como África do Sul, Índia e China, que possuem taxas de juros reais consideravelmente mais baixas.
A taxa de juros no lugar certo estimula o investimento produtivo. A taxa elevada, ao contrário, estimula uma sociedade preguiçosa, com pouca aptidão para o risco e com disposição apenas para ficar sentada no sofá assistindo TV ou na frente do celular acompanhando o Instagram, em vez de investir em atividade produtiva e ajudar o país a se desenvolver.
Na semana em que se reúne o Comitê de Política Monetária – Copom, penso que é importante ressaltar que não há razão para aumentos da Selic, pelo contrário. Com inflação sob controle e um cenário global de cortes nas taxas de juros, o Brasil deve aproveitar esta semana para reduzir a Selic, contribuindo para fortalecer um cenário favorável de crescimento econômico e geração de empregos. É o que esperamos.