Estamos a um ano das eleições gerais de 2022, que serão realizadas no primeiro domingo de outubro, dia 2. Independentemente do resultado, o presidente a ser escolhido terá desafios gigantescos a enfrentar, que, a meu ver, até o momento não estão recebendo a devida atenção no debate pré-eleitoral.
O Brasil possui hoje mais de 14 milhões de desempregados e há anos convive com esses altos índices. O PIB está praticamente estagnado há uma década. A previsão de crescimento econômico para este ano varia em torno de 5%, mas em cima de uma base negativa, e já há estimativas de crescimento inferior a 1% para o ano que vem.
Há pelo menos 40 anos não conseguimos superar o chamado voo de galinha: até alcançamos índices de 5% ou 7% num ano, mas em seguida voltamos ao chão. O fato é que temos crescido muito aquém de nossa capacidade.
Já mencionamos neste espaço o fenômeno da desindustrialização, que significa perda de dinamismo e competitividade do país. A participação da indústria no PIB nacional, que já chegou a 48% nos anos 80, hoje caiu para 20%. Lembrando que a indústria é que induz à inovação e ao desenvolvimento tecnológico em toda a cadeia produtiva.
Voltando aos nossos desafios: a inflação anualizada está batendo dois dígitos, prejudicando especialmente os mais pobres. O Banco Central tende a elevar os juros, desacelerando a economia, num cenário em que tentamos uma recuperação.
No Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), o Brasil está sempre abaixo da média dos países desenvolvidos, da OCDE, com desempenho fraco em leitura, matemática e ciências. Precisamos avançar na implantação do novo ensino médio e na educação profissionalizante: no Brasil, somente 11% dos jovens se formam nesse modelo, enquanto nos países desenvolvidos a média é de 41%.
No Índice Global de Inovação, divulgado em setembro, ficamos em 57º lugar, resultado incompatível para o Brasil, que é a 12ª economia do mundo. Perdemos para países como Chile (53º), México (55º) e Costa Rica (56º).
Poderíamos prosseguir com uma extensa lista, nem falamos da crise hídrica e do risco de apagão, mas já temos aí um bom panorama dos problemas reais que afligem o brasileiro.
É compreensível a angústia e a revolta da população diante da constatação diária da alta dos preços nos supermercados, da perda da renda, da ausência de perspectivas.
Porém, não podemos permitir que essa revolta nos aprisione numa polarização que limita o debate e a própria percepção da realidade. Não é razoável reduzir a discussão a uma questão de esquerda ou direita, ou de ser anti-Bolsonaro ou anti-Lula. O que precisamos é de uma política pró-Brasil!
Afinal, o equilíbrio das contas públicas, as privatizações, a atração de investimentos privados e o aumento da capacidade do investimento público são uma política de esquerda ou de direita? Quem pode ser contra alavancar investimentos que trarão novas oportunidades de renda e aumento de receita tributária para melhorar a prestação de serviços públicos? Como desenvolver políticas públicas e reduzir desigualdades sem orçamento disponível?
Sinceramente, penso que é ridículo reduzir isso a esquerda ou direita. Como tudo na vida, a solução está no equilíbrio. Precisamos criar um ambiente de equilíbrio social, compreendendo que a solução não virá do Estado, já inchado e ineficiente. O Estado deve atuar como indutor para que a iniciativa privada gere riqueza e oportunidades para todos.
Os atuais líderes nas pesquisas eleitorais já demonstraram quais são os seus modelos de governança, e os resultados são comprovadamente insatisfatórios. Experiências populistas, à esquerda ou à direita, nunca deram certo em nenhuma nação.
O país precisa de uma liderança com capacidade de compreensão dos reais desafios do país, para apontar rumos, construir consensos e unir os brasileiros em torno de um projeto nacional, muito além de paixões ideológicas.
Não precisamos de arroubos, gritos ou inimigos imaginários. Precisamos de equilíbrio e rumo, para que o país possa desenvolver todo o seu talento e potencial, e para que o setor público deixe de ser um estorvo e atue como um estímulo à iniciativa privada na geração de oportunidades. Esperamos que o debate se desenvolva com maior lucidez nos próximos meses.