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Crise atrás de crise

Chega de Lula, chega de Bolsonaro: o Brasil merece mais

O economista Roberto Campos, o avô, dizia que o Brasil não perde a oportunidade de perder uma oportunidade. Estamos vendo mais uma passar sob nosso nariz

Publicado em 20 de Julho de 2025 às 04:00

Públicado em 

20 jul 2025 às 04:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

leocastro@fibrasa.com.br

O Brasil não precisa de líderes movidos a bravatas ou lacrações. Nosso país não é um palco de circo, com todo respeito a essa arte milenar. O que o Brasil realmente precisa é de lideranças qualificadas, com ampla visão de mundo e planejamento sólido para promover o desenvolvimento da nação.
Parece óbvio? Pois há alguns anos vemos a nossa política refém de duas lideranças que travam um debate vencido, ambientado no século passado, sobre esquerda e direita, despertando paixões cegas e anacrônicas, que nos impedem de avançar rumo ao futuro.
Precisamos de abrir espaço para lideranças novas, com capacidade de construir consensos com base no bom debate. Estamos cansados de saber o que precisa ser feito, enfrentando as reformas estruturantes de forma definitiva. Reformas importantes feitas no governo Temer, como a da previdência, já precisam ser revisitadas. O teto de gastos foi desmontado e agora vivemos uma caça para gastar ainda mais.
Os candidatos à Presidência Lula (PT) e Jair  Bolsonaro (PL) participam do debate na Band neste domingo (16)
Os então candidatos à Presidência Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) durante debate nas eleições de 2022 Crédito: Renato Gizzi/ Photo Premium/ Folhapress
Precisamos de uma agenda desenvolvimentista de médio e longo prazo. Desde o Brasil Colônia, nossas exportações são pautadas por produtos primários como café e minério, em detrimento de manufaturados de maior valor agregado. Há séculos sabemos disso.
O Brasil conseguiu fazer a transição de um país de renda baixa para renda média entre as décadas de 50 e 80, mas há 40 anos estamos andando de lado. Só conseguiremos dar um salto para a alta renda com o avanço da industrialização e o aperfeiçoamento de nossas instituições políticas. É o que mostra a história.
O economista Roberto Campos, o avô, dizia que o Brasil não perde a oportunidade de perder uma oportunidade. Estamos vendo mais uma passar sob nosso nariz. Acabamos de perder o bonde da transição energética devido a inserções de "jabutis" no projeto de lei de regulamentação da energia eólica, resultando em um aumento de R$ 35 bilhões na conta de energia, para atender grupos de interesse conectados às fontes mais caras e poluentes, como as térmicas a gás e carvão. Fizemos a opção pelo atraso. É inacreditável.
Teríamos dois ganhos nesse processo: ganharíamos em competitividade, com a redução de custos operacionais com energia mais barata e sustentável, e fortaleceríamos nosso posicionamento ambiental, agregando valor à marca Brasil, atendendo às exigências de consumidores e investidores cada vez mais conscientes.
É triste constatar que costumamos perder o bonde da história por falta de liderança e de planejamento, enquanto outras nações prosperam seguindo a mesma receita que nós conhecemos tão bem, apenas não implantamos. A Índia nos últimos dez anos passou de 16ª para a 4ª maior economia do mundo, em termos de PIB, investindo pesado em reformas econômicas e em infraestrutura e logística. Atenção: em dez anos! Ou seja, é possível colher em prazos curtos, sim! Precisamos refutar essa eterna agenda do “país do futuro” que nunca chega.
Enquanto patinamos nos últimos 40 anos, com taxa de crescimento médio abaixo de 2,5%, a Coreia do Sul cresceu em média 6,4%, entre 1970 e 2022, investindo pesado em educação, políticas governamentais estratégicas e uma forte cultura de trabalho e inovação.
Com isso, o país se tornou um grande exportador de produtos de alta tecnologia, como eletrônicos, carros e semicondutores. Índia e Coreia do Sul são apenas dois exemplos, há muitos outros. Enquanto isso, o tarifaço de Trump nos afeta principalmente em produtos como café, aço e suco de laranja. Parece que evoluímos pouco nos últimos 500 anos.
Quando você tem um planejamento e uma liderança determinada, o resultado aparece. O Brasil, portanto, precisa abrir espaço em seu picadeiro para novos atores políticos, que começam a despontar, como os governadores Tarcísio, de São Paulo, Zema, de Minas Gerais, ou Ratinho Júnior, do Paraná. O próprio Espírito Santo tem sido citado aqui como uma referência para o país, um Estado que deu um saldo em desenvolvimento, educação, saúde e segurança nos últimos 24 anos.
O tarifaço do Trump mostra a truculência do presidente de uma superpotência que virou fator de instabilidade mundial, logo numa nação que venceu a Segunda Guerra e a Guerra Fria e era referência de democracia liberal. Do lado brasileiro, vemos um dos polos da nossa política fomentando o tarifaço para defender sua batalha ideológica, revelando que o Brasil acima de tudo era apenas uma farsa.
O outro polo da política faz o quê? Também explora o episódio politicamente devolvendo desaforos e fomentando a polarização, em vez do equilíbrio. Trump é um problema dos EUA, que estão cuidando da vida deles. Quem está cuidando da vida dos brasileiros? Está evidente que nossos maiores protagonistas estão cuidando de seus interesses imediatos, batendo boca como torcedores num botequim, sem nenhuma preocupação com os brasileiros de hoje e com as futuras gerações.
O Brasil precisa exigir seriedade na política, cobrando de suas lideranças competência, qualificação, visão de mundo, preocupação com o futuro e determinação para transformar a nossa história, marcada por séculos de extrativismo, populismo e assistencialismo. Chega de salvadores da pátria, chega de Lula, chega de Bolsonaro. Precisamos cobrar um debate propositivo e pragmático para nossos reais problemas. Lula e Bolsonaro aprisionam o Brasil na pobreza.

Léo de Castro

Empresario, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaco, aborda economia, inovacao, infraestrutura e ambiente de negocios.

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