Há algumas décadas o Espírito Santo representa para o Brasil uma competitiva alternativa logística para importação e exportação através de nossos portos. Nos anos 90, começamos a desenvolver o chamado Corredor Centro-Leste: uma ligação do Centro-Oeste do país e Minas Gerais com o litoral do Estado.
De lá para cá, tropeçamos em alguns pontos cruciais para consolidar essa rota, entre eles: a profundidade dos portos de cargas gerais e granéis sólidos do Estado, em especial o Porto de Vitória; a pequena capacidade do Terminal de Produtos Diversos (TPD) de Tubarão; a especialização total da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e o grande gargalo da união entre a EFVM e as áreas produtoras de Minas, Goiás e Mato Grosso, o chamado gargalo da Serra do Tigre, que limita em 10 milhões de toneladas o transporte de grãos vindo dessas regiões.
Esse gargalo fica na Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), em Minas, uma malha ferroviária com ramificações que vão do Centro-Oeste ao Nordeste, alcançando também São Paulo e Rio.
Voltando ao corredor Centro-Leste: felizmente, nos últimos anos, conseguimos destravar vários daqueles pontos. O Porto de Vitória passou a operar com um calado maior. A Codesa está em vias de ser concedida, o que trará mais competitividade para a infraestrutura já instalada e possibilidade de investimento novo em Barra do Riacho.
O Porto da Imetame, em Aracruz, tornou-se realidade: as obras em terra já começaram. Será um dos portos de maior profundidade do Brasil, com 17m, e estará preparado para atender a próxima geração de navios conteineiros, os chamados New Post Panamax.
Além disso, tivemos a renovação antecipada da concessão para a Vale operar a EFVM, com compromisso de abrir espaço para outras cargas, além do tão importante minério de ferro – decisivo para a nossa história econômica – e expandir seus trilhos para o Sul, com objetivo de chegar ao Rio de Janeiro.
O que falta agora? Superar o gargalo da Serra do Tigre!
Essa é hoje a obra de infraestrutura de maior consequência para a nossa economia. Superar esse gargalo significa abrir uma frente alternativa para o competente agronegócio do Brasil escoar sua produção por aqui, com ganhos relevantes de custo. Será uma 3ª frente, juntando-se ao Arco Norte e à tradicional saída por Santos. Aumentará a competitividade do Brasil. Ganham todos!
Estudo recente desenvolvido pela Findes mostra que pode haver um crescimento de cargas, para a área de influência do corredor, de 107 milhões de toneladas até 2045, uma ampliação de 123% em relação ao volume atual.
Esse cálculo não inclui minério de ferro e considera como principais produtos: soja, milho, farelo, açúcar, fertilizantes, carvão e coque, entre outros.
Essa ampliação das cargas vai estimular várias indústrias no Espírito Santo, como as de aves e suínos, que utilizam milho como insumo. Vai também atrair investimentos para industrialização desses produtos no Estado, além de dinamizar o comércio e os serviços agregados.
Neste momento, discute-se a renovação antecipada da outorga da FCA, operada pela VLI. Precisamos demonstrar, com argumentos técnicos e competência política, que a melhor alocação desses recursos é na Serra do Tigre.
Precisamos da aliança e sensibilidade do governo federal para os fundamentos técnicos do tema. O governador Casagrande e a nossa bancada federal têm lutado por isso. Precisamos apoiá-los cada vez mais.
Investir no contorno da Serra do Tigre é reduzir o Custo Brasil, aumentar a competitividade da FCA, da indústria e do agronegócio, e fortalecer o comércio exterior brasileiro. É gerar desenvolvimento, emprego e oportunidades para os capixabas.
A hora é esta! Sem essa obra, o Espírito Santo terá conexão para o mar, sem ligação adequada com a malha ferroviária brasileira, ou seja, ficará isolado, o que não é bom para o Estado e nem para o Brasil.
Contamos com todos, mas especialmente com a VLI, a Vale, a nossa bancada federal, o governo do Estado e o presidente Bolsonaro, para que, considerando os fundamentos técnicos e a racionalidade do projeto, viabilizem o contorno da Serra do Tigre, que tem o potencial de se tornar o de maior consequência para a economia capixaba nos últimos 30 anos, tornando o Espírito Santo um grande aliado da competitividade do Brasil.
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