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Infraestrutura

Corredor Centro-Leste: aceitaremos o isolamento?

Chegou a hora de fazermos um apelo à nossa bancada capixaba em Brasília, para que se mobilize com todas as forças para assegurar os investimentos no contorno ferroviário da Serra do Tigre, em Minas

Publicado em 05 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

05 set 2021 às 02:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

leocastro@fibrasa.com.br

Ferrovia
Ferrovia: ES e MG estão unidos para garantir investimentos da renovação antecipada da FCA no Corredor Centro-Leste Crédito: JPLenio/Pixabay
Em agosto do ano passado publiquei um artigo em que alertava para o risco de o Espírito Santo ficar isolado num vazio logístico, entre os portos de Ilhéus (BA) e Santos (SP). Esses portos já têm projetos avançados para conexão com Minas e o Centro-Oeste do país, com malhas ferroviárias eficientes. Não é o nosso caso, infelizmente.
Se não melhorarmos a nossa conexão ferroviária ficaremos distantes dessa próspera região, de onde sai o nosso “agro”, grande fonte de riqueza. A necessidade de reação do Espírito Santo se torna cada dia mais urgente.
Chegou a hora de fazermos um apelo à nossa bancada capixaba em Brasília, para que se mobilize com todas as forças, para assegurar os investimentos no contorno da Serra do Tigre e consolidar o Corredor Centro-Leste.
O investimento no contorno é essencial para melhorar a nossa conexão com o centro do país e usar os nossos portos para escoar a produção dessa região. É uma oportunidade única de estabelecer uma ligação ferroviária do século 21, unindo o Centro-Oeste aos novos portos do no ES, também do século 21.
Seremos o primeiro Estado a disponibilizar no Brasil a oferta de transporte da produção agrícola com navios tipo Capesize, que reduzirão o frete em 7,5% para o produtor dessa região. Nenhum outro complexo portuário no Brasil tem condições imediatas de competir com o ES segundo esses critérios.
A esteira produtiva do agronegócio não pode ficar engargalada em navios de pequeno porte, que formam filas e encarecem o frete. É fundamental que tenhamos uma ferrovia de alto desempenho para nossos projetos portuários.
O momento que vivemos agora é comparável ao dos grandes projetos industriais dos anos 70, que permitiram ao ES um salto no desenvolvimento. Colhemos até hoje os frutos dos grandes projetos. Amanhã, colheremos o que fizermos hoje, e o que temos a fazer é consolidar o Corredor Centro-Leste.
Por que a urgência? Porque estamos às vésperas da renovação antecipada da concessão da FCA, que, em conjunto com a Vitória a Minas, faz a ligação dessa região central com os nossos portos, constituindo o referido corredor.
É mais do que legítimo que os recursos da renovação da concessão sejam utilizados para consolidar esse projeto, tanto do ponto de vista da logística estadual como da nacional. Nossa única chance para viabilizar o corredor são esses recursos, pois sabe-se que o governo federal (que em tese poderia investir) mal tem capacidade para manter serviços públicos para a população.
Em diálogo com o Ministério da Infraestrutura, a área de Defesa de Interesses da Findes conseguiu demonstrar, com rigor técnico, que o corredor tem potencial de movimentar até 26 milhões de toneladas por ano já em 2035, contra a estimativa de apenas 7 milhões, apresentada em consulta pública.
A Findes mostrou ao governo federal que investir no Corredor Centro-Leste será um marco histórico para o ES e para o país, representando uma das mais importantes alternativas logísticas para produtos nacionais, beneficiando diversos setores da economia.
Se o Brasil não utilizar os recursos privados da concessão da FCA no “nosso” corredor, ele será aplicado em estruturas logísticas em outros Estados: perde o ES, perde o Brasil.
Temos grandes investimentos portuários já iniciados, como o Porto da Imetame, em Aracruz, além da concessão da Codesa, também já iniciada, e estamos avançando com o Porto Central e Petrocity.
Essa infraestrutura portuária precisa se conectar com o interior do país, conseguindo assim um fluxo constante de cargas, como grãos e fertilizantes. Caso contrário vamos ficar presos a um monoproduto, o minério de ferro, que já busca saídas pelo Norte do país.
Lembro que esse corredor, além de estratégico para o escoamento de grãos, fortalece a competitividade para a Indústria local de proteína, abre um caminho para o mercado de fertilizantes, gera novas rotas para o mercado de contêiner, tão demandado pela indústria do café e pelo setor de rochas, e induz a outros projetos conectados com o comércio exterior.
Este investimento, se realizado, abrirá um novo horizonte para o desenvolvimento do Estado, propiciando de fato uma diversificação maior da nossa economia, gerando milhares de novos empregos.
A hora é agora! Se perdermos esse “trem”, ficaremos definitivamente isolados logisticamente da maior fonte de riqueza do Brasil, que é o agro. Estaremos passivamente aceitando que investimentos já implantados de mais de R$ 30 bilhões nos portos e ferrovias já existentes fiquem ociosos e talvez até sejam desativados, gerando assim desemprego.
A decisão é federal: é preciso que todos os nossos parlamentares se unam em defesa do ES e do país, em defesa dos eleitores que os escolheram e que precisam de novas perspectivas para terem uma melhor qualidade de vida.

Léo de Castro

Empresario, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaco, aborda economia, inovacao, infraestrutura e ambiente de negocios.

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