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Ensino

Educação: uma urgência para o Brasil ingressar no século 21

Falo sobretudo da educação profissional e tecnológica, que favorece o ingresso dos jovens no mercado de trabalho

Publicado em 20 de Novembro de 2022 às 02:30

Públicado em 

20 nov 2022 às 02:30
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

leocastro@fibrasa.com.br

Entre tantas prioridades de um país com carências históricas como o Brasil, a educação certamente está entre as maiores urgências dos governos que se iniciam ou se renovam em janeiro, em Brasília e nos Estados. Falo sobretudo da educação profissional e tecnológica, que favorece o ingresso dos jovens no mercado de trabalho.
Dirigentes de organizações conceituadas na área, como o Instituto Ayrton Senna e a Fundação Lemann, divulgaram na semana passada informações alarmantes sobre o desempenho de nossos estudantes e a nossa inserção no mundo.
O Brasil tem apenas 31% de crianças alfabetizadas na idade certa. Com a pandemia, a situação pode se agravar e é possível que esse índice, em quatro anos, chegue a 75%. A escola não pode ser uma fábrica de crianças analfabetas, observou Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann, em recente entrevista ao "Globo".
Além de recuperar com eficiência o seu papel tradicional de ensinar a ler, calcular, escrever e pensar logicamente, as escolas atuais precisam ainda desenvolver nas crianças novas competências e habilidades socioemocionais, como criatividade, pensamento crítico, trabalho em equipe, empatia, capacidade de resolução de conflitos, liderança e resiliência, para lidar com os desafios do século 21.
Não é nada trivial, mas todos os estudos relevantes que têm sido feitos no mundo por governos e consultorias privadas mostram que as habilidades do século 21 não serão mais as habilidades básicas que conhecemos, como observou Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna. “Estamos entrando em uma era em que a velocidade da mudança é tão exponencial que as pessoas vão precisar de musculatura socioemocional para poder fazer frente às mudanças que teremos pela frente”, disse Viviane, em entrevista ao "Valor Econômico" na semana passada.
Claro que para desenvolver as novas habilidades, precisamos primeiro cuidar das antigas, e por isso devemos lutar em duas frentes simultaneamente, sem perder tempo. Se antes uma grande invenção acontecia a cada 100 anos, agora acontece a cada cinco. E todos temos que acompanhar, ou nossos jovens se tornarão “párias sociais” no futuro, excluídos das transformações do mercado.
A fragilidade de nossa educação e o consequente apagão da mão de obra já é uma realidade percebida no dia a dia das empresas, que impede o nosso desenvolvimento. Com uma retomada sustentada da economia, o problema tenderá a se agravar.
Levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 50% das empresas já enfrentam dificuldade para contratar trabalhador qualificado, que é justamente o mais bem remunerado. No Espírito Santo, o levantamento contou com apoio do Ideies, e o resultado é um pouco pior: 53% das empresas têm dificuldade para contratar. Isso obviamente compromete a produtividade do país e sua competitividade no mercado global.
Uma das áreas mais afetadas é a de tecnologia. Relatório da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) mostra que a área de TI demandará cerca de 420 mil profissionais até 2024. Seriam necessários 70 mil profissionais ao ano para ocupar completamente as vagas, mas atualmente o país capacita menos de 50 mil, e muitos dos bons profissionais já estão sendo contratados por empresas estrangeiras – sem a necessidade de mudar de residência.
Os especialistas da área são quase unânimes ao sustentar que a atual legislação é boa, considerando a Base Nacional Comum Curricular e o Novo Ensino Médio, resultado da Lei 13.415/2017, que ampliou a carga horária e instituiu uma grade voltada para a formação profissional. Isso significa que não precisamos de uma grande reforma do ensino, precisamos apenas acelerar a implantação da lei de 2017. É o único caminho que temos para assegurar o nosso assento no século 21 e evitar uma geração de excluídos.

Léo de Castro

Empresario, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaco, aborda economia, inovacao, infraestrutura e ambiente de negocios.

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