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Economia sustentável

Indústria verde: uma janela de oportunidades para o Brasil

Temos recursos para financiamento, temos mercado e temos condições geopolíticas e energéticas para atrair essa nova onda de investimentos

Publicado em 15 de Outubro de 2023 às 01:00

Públicado em 

15 out 2023 às 01:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

leocastro@fibrasa.com.br

No artigo anterior, publicado há duas semanas, registrei a melhora do nosso ambiente econômico, com a perspectiva de o Brasil crescer 3% ou mais neste ano, contrariando previsões pessimistas do passado, e terminei mencionando as novas janelas de oportunidades para o país, com a transição energética para uma economia de baixo carbono, uma agenda imperiosa para o mundo. Hoje vamos avançar no tema, mostrando que a indústria verde é um negócio de quase US$ 400 bilhões ao nosso alcance.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoveu recentemente o seminário “Powershoring e a neoindustrialização verde do Brasil”, abordando o potencial da descentralização de cadeias produtivas globais, para países próximos a centros de consumo e que oferecem energia limpa e abundante, como é o caso do Brasil.
Em outras palavras: pressionados por legislações próprias e acordos internacionais que obrigam as grandes potências a reduzir a emissão de carbono, os Estados Unidos e a União Europeia tendem a rever as suas cadeias de produção de manufaturas para um ambiente mais sustentável.
Esse é o chamado powershoring, a busca de um local seguro para produzir, com energia limpa e barata e que não esteja sujeito a conflitos geopolíticos – de novo, é justamente o caso do Brasil.
O Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) estima que essa corrida das maiores economias do mundo em busca da descarbonização cria a possibilidade de o Brasil faturar US$ 395 bilhões até 2032, com a exportação de produtos com selo sustentável.
O ataque a Israel e a intensificação dos conflitos no Oriente Médio, drama humanitário que chocou o mundo, lança incertezas na economia global, com pressões inflacionárias e oscilações no preço do petróleo, mas não altera o cenário da busca pela descarbonização da economia, prevista no Acordo de Paris, assinado em 2015 por 195 países.
O fato de o Brasil ser um país sem conflitos geopolíticos reforça o seu potencial de atração de investimentos. Aqui, 83,7% da energia produzida vêm de fontes renováveis, incluindo energia hídrica, solar e eólica.
Os principais investidores globais, Estados Unidos e Europa, possuem programas robustos de descarbonização da economia. Os EUA planejam investir mais de 500 bilhões de dólares em tecnologias verdes e projetos de clima, e a Europa outros 600 bilhões de euros, segundo estimativas do CAF, o que indica nossas oportunidades no powershoring.
Essa nova frente de oportunidades, contudo, não cairá do céu, obviamente. Para atrair novos investimentos aproveitando essa onda de neoindustrialização, temos o nosso dever de casa a fazer, especialmente na área de infraestrutura e logística.
O déficit de investimentos em logística, energia elétrica, telecomunicações e saneamento somente no ano passado foi de R$ 255 bilhões, de acordo com levantamento da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).
O próprio Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe alerta que o Brasil precisa avançar no processo de licenciamento ambiental, criação de Zonas de Processamento de Exportações acopladas a portos e investimentos em ciência e tecnologia. O banco já sinalizou estar disposto a repassar US$ 600 milhões para o BNDES e o Banco do Nordeste (BNB), para financiamento de plantas industriais de energia limpa.
Temos, portanto, recursos para financiamento, temos mercado e temos condições geopolíticas e energéticas para atrair essa nova onda de investimentos.
Agora, precisamos criar as condições regulatórias e de infraestrutura e logística. As oportunidades estão em nossas mãos, precisamos saber aproveitá-las. Esperamos que nossas lideranças estejam atentas a essas janelas que poderão gerar grande riqueza para o país.

Léo de Castro

Empresario, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaco, aborda economia, inovacao, infraestrutura e ambiente de negocios.

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