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Léo de Castro

O Brasil que transforma pessoas

Existe uma infraestrutura menos visível para o desenvolvimento do país: a capacidade de formar pessoas

Publicado em 19 de Julho de 2026 às 05:00

Públicado em 

19 jul 2026 às 05:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

leocastro@fibrasa.com.br

Normalmente abordamos neste espaço os desafios para o desenvolvimento do Brasil, citando gargalos na infraestrutura, no capital humano ou no ambiente institucional. Costumamos citar experiências bem-sucedidas em outros países ou mesmo aqui, no Espírito Santo, que é uma referência em gestão fiscal, atração de investimentos e indicadores sociais. 


Hoje, contudo, vamos falar de iniciativas que mostram como o setor privado e a sociedade civil têm conseguido produzir resultados onde, muitas vezes, o Estado brasileiro permanece preso à burocracia, ao assistencialismo e à baixa capacidade de execução.


Desenvolvimento costuma ser associado a grandes obras, investimentos industriais, inovação tecnológica ou reformas econômicas. Tudo isso é fundamental, mas existe também uma infraestrutura menos visível, igualmente importante para o futuro de um país: a capacidade de formar pessoas.

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Nos últimos anos, tenho acompanhado iniciativas do empresariado e da sociedade civil que demonstram, de forma concreta, como o investimento em pessoas pode produzir resultados extraordinários. 


São projetos que não se limitam à assistência: eles realmente criam oportunidades, desenvolvem talentos, formam cidadãos e transformam trajetórias de vidas.


Um dos exemplos inspiradores no Espírito Santo é o Instituto Ponte, idealizado por Bartira Almeida. Ele é financiado exclusivamente por recursos privados, por empresas patrocinadoras, pessoas físicas e instituições parceiras.


O instituto identifica jovens talentosos da escola pública, oferece bolsas integrais em instituições de ensino de excelência e garante acompanhamento pedagógico, psicológico, profissional e financeiro durante toda a sua formação. O resultado é impressionante: 87% dos alunos ingressam no ensino superior, índice muito acima da média brasileira para estudantes de escola pública. 

Instituto Ponte
Instituto Ponte Divulgação

Também no Estado, merece destaque o Projeto Travessia, iniciativa da Mover-se Cia. de Dança, associação cultural capixaba dedicada à formação artística e ao desenvolvimento de projetos de impacto social por meio da dança, em parceria com a escola Duetto Arte e Movimento. 


O projeto oferece formação intensiva em balé clássico para crianças do Território do Bem, um conjunto de comunidades de Vitória marcado por vulnerabilidade social e onde vivem 30 mil pessoas. Essa iniciativa demonstra como a cultura, quando conduzida com excelência, também pode ser um poderoso instrumento de desenvolvimento humano.


Outro exemplo é o Instituto Água Viva, criado pelo empresário capixaba Antônio Carlos Torres, fundador da Fortlev. Mantido pelo investimento da família Torres e por uma rede de parceiros privados, o Instituto atua desde 2015 na Bahia, Pernambuco, Piauí e Paraíba, desenvolvendo projetos de acesso à água, educação, esporte, saúde e geração de renda. Mais de 180 mil pessoas já foram beneficiadas por suas iniciativas, que demonstram como a experiência empresarial pode ser colocada a serviço da transformação social.

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No Brasil, até o passado é incerto

Embora atuem em áreas distintas, essas organizações possuem algo em comum: gestão eficiente. Elas são administradas com profissionalismo, governança, indicadores, auditorias e avaliação permanente de resultados. 


Como tantas outras Brasil afora, elas atuam exercendo o papel que em tese seria do Estado brasileiro, que por sua vez não tem a mesma eficiência na gestão e sofre de uma carência crônica de liderança. O Estado não faz, a iniciativa privada e a sociedade se mobilizam e fazem.


Esses exemplos devem servir de inspiração para o empresariado e a sociedade em geral. Não devemos obviamente deixar de cobrar eficiência e liderança no setor público para superar nossos gargalos, mas também não vamos aguardar a providência divina de braços cruzados. Essas ações mostram que é possível transformar o Brasil investindo nas pessoas.

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios

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