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Capital humano

O ES precisa de um pacto pela competência capixaba

Um levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) indica que a falta de trabalhador qualificado já é um problema atualmente para 65% das indústrias extrativa e de transformação

Publicado em 29 de Março de 2026 às 04:00

Públicado em 

29 mar 2026 às 04:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

leocastro@fibrasa.com.br

O Espírito Santo vive um momento crítico em seu atual ciclo de desenvolvimento econômico e social. Há uma crescente demanda por mão de obra qualificada em diversos setores da economia, enquanto vivemos um período de pleno emprego, com a taxa de desocupação no Estado bem inferior à média nacional.
As empresas já enfrentam atualmente grande dificuldade de contratação de profissionais, o que representa um gargalo para a nossa produtividade, e o cenário tende a piorar, com os investimentos que felizmente estão saindo do papel.
Tratamos aqui de um "bom problema", que é a urgente necessidade de formação de capital humano para preencher as vagas de trabalho que já estão disponíveis no Estado e também as que em breve serão criadas aos milhares. Vai faltar gente para trabalhar.
A questão é que esse "bom problema" pode virar um pesadelo, se não agirmos a tempo: corremos o risco de perder grandes oportunidades, para toda a sociedade capixaba, pela absoluta escassez de talentos, o que representa hoje um grande gargalo competitivo.
A taxa de desocupação atual no Espírito Santo é de 2,4%, menos da metade da média nacional. Nos próximos três anos, até 2029, o Estado receberá investimentos de pelo menos R$ 137 bilhões, considerando a expansão da infraestrutura portuária e logística, a retomada da Samarco para 100% de sua capacidade operacional e a vinda da montadora chinesa GWM. Somente a montadora vai demandar cerca de 10 mil trabalhadores nos próximos anos.
Um levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) indica que a falta de trabalhador qualificado já é um problema atualmente para 65% das indústrias extrativa e de transformação.
É preciso ter em mente que o caminho para elevar a produtividade do país passa necessariamente pelo investimento em capital humano, ou seja, nas pessoas e nos seus conhecimentos, e também no capital físico: máquinas, infraestrutura e tecnologia. Esse é o motor do crescimento de longo prazo. O país precisa equilibrar esses dois fatores, para produzir mais e melhor, elevando a renda média da população.
Esse cenário preocupante foi debatido dias atrás em encontro em Vitória do movimento empresarial ES em Ação, do qual pude participar como integrante do painel sobre Empregabilidade e Educação Profissional, juntamente com o vice-presidente da Fecomércio, José Carlos Bergamin, o diretor geral da Findes, Roberto Campos de Lima, e a economista e consultora Silvia Varejão. O encontro reuniu lideranças empresariais e autoridades estaduais como o vice-governador Ricardo Ferraço e o governador Renato Casagrande.
Defendi na ocasião a formação de um pacto capixaba pela competência, para preparar a nossa mão de obra local para esse futuro promissor, unindo o setor produtivo e o governo do Estado, numa agenda com articulação nacional. O pacto deve considerar alguns pilares.
Primeiro: inteligência de mercado, para mapear a demanda existente, identificando quais ocupações e competências vão crescer, antes que a escassez exploda, observando também as necessidades por setor e por região. Segundo: formação modular e mais rápida para competências específicas, combinando base técnica e habilidades humanas e digitais. Terceiro: forte foco em requalificação de quem já está no mercado, porque a maior parte da necessidade não virá de novos trabalhadores, mas sim da transformação dos atuais postos de trabalho.
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O desafio da requalificação de quem já está no mercado é bem maior. De acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, um levantamento realizado pelo Senai e pelo Observatório Nacional da Indústria, da CNI, o Espírito Santo precisará qualificar cerca de 280 mil profissionais até 2027. Desse total, 47 mil correspondem à formação de novos profissionais e mais de 232 mil à requalificação de quem já está no mercado.
É interessante observar também o estudo do Fórum Econômico Mundial, indicando que 39% das habilidades chave exigidas no mercado de trabalho vão mudar até 2030, com o crescimento da importância de competências nas áreas de inteligência artificial, big data, redes e cibersegurança, letramento tecnológico, pensamento criativo, resiliência, curiosidade e aprendizagem contínua.
Precisamos nos preparar para esse novo ciclo de desenvolvimento, marcado pela diversificação da atividade econômica e pelo adensamento da cadeia produtiva do Estado, com maior valor agregado e mais tecnologia – e demanda de mão de obra mais qualificada. Precisamos, contudo, agir com rapidez. A necessidade de profissionais no mercado já é uma realidade, que tende a se agravar.
Não podemos deixar que uma grande oportunidade se transforme num pesadelo. Não podemos perder esse bonde histórico por falta de talentos capixabas. Precisamos formar e requalificar os nossos profissionais, para que o Espírito Santo possa se beneficiar ao máximo desse novo ciclo de desenvolvimento. Não temos tempo a perder.

Léo de Castro

Empresario, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaco, aborda economia, inovacao, infraestrutura e ambiente de negocios.

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