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Léo de Castro

Uma agenda para o futuro do Brasil

Essas reformas estão conectadas a um objetivo maior, de tornar a economia brasileira mais produtiva e competitiva, gerando oportunidades

Publicado em 11 de Outubro de 2026 às 11:35

Públicado em 

11 out 2026 às 11:35
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro Léo de Castro

leocastro@fibrasa.com.br

O primeiro turno da eleição presidencial deixou claro o forte desejo de mudança na população. Diversos fatores contribuíram para esse cenário. Muitos vêm sendo citados há tempos no debate público, inclusive neste espaço, como o endividamento das famílias e das empresas, a carestia, a insegurança nas ruas e os excessos de autoridades públicas nos três poderes.


O país precisa recuperar a capacidade de planejamento, com equilíbrio fiscal e reformas estruturais, possibilitando o desenvolvimento econômico e social. Nesse processo, é fundamental que os setores produtivos apresentem propostas e contribuam para dar consistência às discussões e às diretrizes que orientarão o país nos próximos anos.


O setor empreendedor precisa sair das cordas, onde se encontra há alguns anos, para voltar a participar dos debates cruciais para o desenvolvimento do país, num cenário mundial tão complexo. Não podemos assistir passivamente às transformações que estão acontecendo no mundo. Precisamos participar das escolhas que definirão o lugar do Brasil na nova economia global.


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A prioridade do próximo mandato não pode ser paroquial. Precisamos definir as prioridades da nação e criar condições para um desenvolvimento baseado em produtividade, inovação e geração de valor.


Historicamente, o Brasil sempre teve enorme capacidade de produzir commodities e obviamente deve continuar aproveitando suas vantagens competitivas em setores como o agro e a mineração. Mas não podemos nos limitar a exportar produtos de baixo processamento e importar tecnologia, máquinas, equipamentos e produtos de maior complexidade. Uma economia de maior valor agregado precisa incorporar conhecimento, tecnologia, inovação e produtividade àquilo que produz.


Precisamos estar atentos a essas questões. O Brasil não pode voltar a ser uma colônia do mundo, como fomos no início de nossa formação. Não podemos ser apenas uma grande fazenda produtora de commodities, nem um centro de distribuição ou de montagem de produtos desenvolvidos em outros países. 


Precisamos produzir conhecimento, desenvolver tecnologia e agregar valor à nossa produção. Temos potencial e temos ilhas de excelência que demonstram isso. A WEG e MBRF (dona da Sadia) são dois exemplos da nossa capacidade competitiva.


Para avançar, contudo, o Brasil precisa efetivamente colocar de pé uma política industrial ambiciosa, capaz de estimular investimentos, gerando inovação, desenvolvimento tecnológico e aumento de produtividade, como vêm fazendo EUA, China e União Europeia. 


Com pacotes bilionários, eles vêm fortalecendo suas cadeias produtivas e em setores considerados estratégicos. O Brasil não pode ficar à margem dessa disputa. Precisa construir uma política de longo prazo, com prioridades claras, metas, avaliação de resultados e articulação entre indústria, agro, universidades, centros de pesquisa e setor público.


Essa agenda deve caminhar junto com a redução do custo Brasil. O custo de produzir aqui, como sabemos, é elevado por uma combinação de fatores, como deficiências de infraestrutura, burocracia, insegurança jurídica, complexidade tributária e custos de energia e logística. Tudo isso reduz a competitividade das empresas, dificulta investimentos e encarece produtos e serviços para o consumidor, que no final do dia paga essa conta e vê reduzido o seu poder de compra.

Logística e infraestrutura na economia Divulgação

Enfrentar esses desafios exige decisões concretas, muitas ao alcance do Executivo. É preciso simplificar procedimentos e melhorar a qualidade da regulação, dando maior previsibilidade às decisões governamentais. O país também precisa combater de forma consistente a economia ilegal e a informalidade que distorcem a concorrência e prejudicam quem trabalha dentro das regras, além de reduzir a arrecadação.


O próximo governo terá, portanto, uma agenda extensa. Temos ainda a reforma administrativa, para melhorar a qualidade do gasto e aumentar a eficiência do Estado, e a transição da reforma tributária, que deve ocorrer com segurança e sem aumento da carga, que ninguém aguenta mais. Também será necessário enfrentar novamente a questão previdenciária, diante do envelhecimento da população e da evolução das despesas públicas. 


Na agenda trabalhista, cabe retomar a discussão sobre formas mais flexíveis de contratação e organização das jornadas, inclusive com modelos de trabalho por hora que deem mais liberdade de organização a trabalhadores e empresas, com regras claras e proteção adequada, como alternativa ao antigo modelo de turnos.


Essas reformas estão conectadas a um objetivo maior, de tornar a economia brasileira mais produtiva e competitiva, gerando oportunidades. Tudo isso faz parte de uma mesma agenda de modernização da economia. Na eleição presidencial de 1989, Mário Covas já dizia que o Brasil precisava de um choque de capitalismo. Quase quatro décadas depois, continua sendo verdade.


O próximo governo terá a responsabilidade de transformar esse desejo em uma agenda concreta, capaz de enfrentar problemas que se acumulam há décadas.

Léo de Castro

Léo de Castro Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios

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