A lista está sendo atualizada diariamente, mas 43 padres do Espírito Santo já assinaram a carta em apoio aos bispos de todo o país, que também fizeram um documento com críticas ao governo do
presidente Bolsonaro. Na carta dos autodenominados “Padres da Caminhada” já constam mais de 1,5 mil assinaturas de sacerdotes de todo o país.
A maioria dos sacerdotes que assinaram a carta são ligados à Teologia da Libertação, vertente da Igreja Católica mais ligada às lutas sociais e às Comunidades Eclesiais de Base (Cebs) e com maior engajamento político.
No trecho final do documento, divulgado no dia 4 de agosto, data em que se comemora o “Dia do Padre, os sacerdotes comparam a situação do
Brasil à de um avião sem comando.
“Hoje, relançamos a carta de apoio à Carta ao Povo de Deus, publicada pelos bispos do Brasil, onde manifestam sua indignação pela situação do nosso país, que mais se parece a um avião sem piloto, sofrendo inúmeras turbulências, jogando seu povo pela janela sem paraquedas, que já ultrapassam o número de 94 mil.”
A primeira versão da carta, lançada em 30 de julho, assinada em conjunto pelo movimento “Padres da Caminhada” e “Padres contra o Fascismo”, trouxe críticas mais diretas ao governo federal.
Nesse documento, os sacerdotes assumem um compromisso "em favor da vida, principalmente dos segmentos mais vulneráveis e excluídos, nesta sociedade estruturalmente desigual, injusta e violenta", e se solidarizam com todas as famílias que perderam vidas por causa da Covid-19.
"Essa doença ceifa vidas e aterroriza a todos. Próximos de atingir 100 mil mortos nesta pandemia, é inadmissível que não haja neste governo um ministro da Saúde, que possa conduzir as políticas de combate ao
novo coronavírus", critica o documento.
Os padres contrários às ações de Bolsonaro se organizaram em movimentos como o “Padres da Caminhada” - com cerca de 200 integrantes, entre eles bispos eméritos, com dom Mauro Morelli, de Duque de Caxias (RJ) -, e os “Padres contra o Fascismo”, com 170 membros.
“A carta dos padres é importante porque ela manifesta um apoio aos bispos, que assinaram a ‘Carta ao Povo de Deus’. A lista vai aumentar porque a carta é corajosa, denuncia e traz à tona a realidade que já está insustentável. A gente está assustado com o avanço da Covid-19, o Brasil vai caminhando para 100 mil mortes, com um grande número de pessoas infectadas”, diz o padre Romário Hasteinreiter”, de Boa Esperança, no Noroeste do Estado.
“Existe um descompasso na política e um atentado contra a democracia no Brasil, com a falta de limites do governo em relação ao meio ambiente e um descaso com os povos indígenas”, pontua o sacerdote, um dos articuladores do documento no ES.