“Tenham muita atenção ao transitar por
Vitória de viatura.” O alerta, em tom quase dramático, foi disparado por um policial em um grupo que reúne policiais civis e militares no Espírito Santo. Ele se referia ao risco de ataque que os agentes da lei podem sofrer de criminosos a qualquer momento na capital capixaba, e nos locais menos prováveis para esse tipo de hostilidade.
E não é um alerta vazio, não se trata de uma preocupação distante da realidade. E tudo isso aconteceu na madrugada desta sexta-feira (6), quando dois policiais militares ficaram encurralados diante de um ataque inesperado de criminosos. Aos fatos.
Segundo relatos de policiais, feitos de maneira oficial e também informal, aos quais a coluna teve acesso, uma viatura do 1º Batalhão da Polícia Militar (1º BPM) fazia uma ronda nas imediações da sede do
Sebrae-ES, na badalada Enseada do Suá, quando “foi atacada com disparos de grosso calibre e mira a laser advindos do alto do bairro Jesus de Nazareth”.
Na viatura da PM estavam um sargento e um soldado. De acordo com o relato oficial, os dois militares, “surpreendidos com o ataque vindo do morro, “se abrigaram e realizaram o revide, contudo, não foram cessadas as agressões, ficando a equipe encurralada no abrigo”.
Em seguida, o relatório policial descreve que os
PMS encurralados não conseguiram se comunicar “diante da incomunicabilidade dos HT’s (radiocomunicadores)”, sendo necessário pedido de reforço através de contato telefônico. Nessa comunicação, os militares alertaram para a necessidade de armamento mais pesado, diante do presumível poderio bélico dos criminosos do bairro Jesus de Nazareth.
O reforço policial chegou, com armamento mais pesado, e acabou ocorrendo um confronto entre militares e criminosos que durou cerca de 20 minutos. Só depois disso os policiais conseguiram deixar o local. “Os disparos cessaram e foi possível realizar a retração em segurança”, diz o relato.
Após as hostilidades, os policiais concluíram que não deveriam avançar em direção ao morro para prender os bandidos e reconheceram a força letal do
tráfico: “Em razão do poderio bélico dos criminosos, baixa luminosidade e desvantagem geográfica, as guarnições optaram em não adentrar a comunidade ao encalço dos agressores em prol da segurança das equipes”, diz o comunicado oficial dos policiais militares.
No registro da ocorrência, o saldo: ninguém preso, nenhum material apreendido.
Em um grupo de policiais, o episódio da madrugada foi intensamente comentado. O tom foi de alerta para as forças de segurança que atuam em Vitória, diante do poderio bélico dos bandidos.
“Foi em um lugar relativamente tranquilo e que não esperavam nunca passar por isso ali naquela região. Então a mensagem é apenas como um alerta para ter cuidado nesse deslocamento”, diz um policial. “Deram muitos tiros para cima deles vindo do morro e ficaram encurralados”, reforça o PM.
Outro policial descreveu a situação lamentando a situação dos colegas diante do ataque dos bandidos: “Largaram o prego (tiros) lá de cima, a equipe não tinha poder de fogo pra revidar e ficou encurralada”.
Uma mensagem postada por um membro do grupo afirma que a mesma situação de desvantagem de armamento de policiais frente a criminosos teria ocorrido recentemente no Morro do Jaburu.
Outro policial informa: “Secretaria de Segurança ciente”.
E a sociedade, também. Ciente e assustada.