Pesquisadores da
Ufes fizeram um estudo considerado pioneiro que mostrou que o uso de drones no controle de doenças do cafeeiro tem maior precisão se comparado aos métodos tradicionais. Realizada pelo Laboratório de Mecanização e Defensivos Agrícolas (LMDA) do Departamento de Ciências Agrárias e Biológicas do campus de
São Mateus, a pesquisa utilizou drones pulverizadores para aplicação de fungicidas nas plantações, na contramão da técnica convencional, que emprega pulverizadores em tratores.
Os resultados foram divulgados em janeiro na conceituada revista suíça Agronomy MDPI. Segundo a Ufes trata-se do primeiro estudo publicado nacional e internacionalmente na área de Tecnologia de Aplicação por meio de veículos aéreos não tripulados (VANT) no controle da ferrugem-do-café e da cercosporiose.
A pesquisa foi coordenada pelo professor Edney Vitória, do Programa de Pós-Graduação em Agricultura Tropical (PPGAT), com a participação dos estudantes da Ufes Luis Felipe Ribeiro e Maria Eduarda Ribeiro, além da colaboração de pesquisadores do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), do Departamento de Engenharia Agronômica da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Syngenta Crop Protection.
O estudo conta também com a participação de pesquisadores chineses, que foram responsáveis pela avaliação de toda a metodologia utilizada no experimento capixaba. “A
China detém a maior frota do mundo de drones pulverizadores, por conta do tamanho de sua população e do grande número de culturas e áreas para plantio, além de possuir as duas maiores empresas de fabricação de drones, a DJI e a XAG", explica o professor Edney Vitória.
Para o coordenador da pesquisa, a participação dos chineses foi decisiva para o estudo, uma vez que o país continua fazendo grandes investimentos para desenvolver e inovar tecnologias relacionadas aos drones pulverizadores.
A pesquisa foi realizada em campo no período de junho de 2021 a junho de 2022, numa propriedade em
Marechal Floriano, com café tipo arábica. A escolha pela região se deu por dois motivos, segundo o professor Edney: a participação do pesquisador do Incaper César Krohling, especialista em doenças do café e coordenador de uma área naquela região para experimentos em café; e pelas circunstâncias estruturais da área para a aplicação de fungicidas.
A
região serrana do Espírito Santo tem uma grande área de café plantada em morros. Nessas condições, os tratos culturais são um problema para o agricultor. Às vezes não é possível utilizar o trator devido à inclinação e, neste caso, as aplicações são realizadas com pulverizadores costais (um reservatório carregado nas costas, como uma mochila, e aplicado de forma manual pelo agricultor). Mas esses equipamentos são ergonômica e operacionalmente muito ruins", destaca o professor Edney.
Como os autores afirmam no artigo publicado na revista suíça, nos últimos anos houve avanços significativos quanto à eficácia de fungicidas na proteção à saúde das plantas. No entanto, no que diz respeito às lavouras de
café, as tecnologias para as aplicações não acompanharam a mesma eficiência dos produtos, levando ao desperdício e consequente contaminação do meio ambiente e das pessoas envolvidas no cultivo da espécie. É o caso do tradicional pulverizador tratorizado, que aplica o fertilizante a uma taxa de 400 litros por hectare (L/ha).
"Os pulverizadores tratorizados, quando mal regulados e calibrados, tendem a aplicar uma quantidade de calda (produto combinado a água) maior do que a necessária. Consequentemente, há um escorrimento do produto para o solo, acesso nas folhas ou nos frutos e maior susceptibilidade em relação à deriva (produto levado pelo vento que pode contaminar outras culturas e mananciais, por exemplo)", explica o professor.
Já o drone pulverizador, como foi demonstrado no estudo, aplica o fertilizante de forma mais concentrada, a uma taxa de 10 L/ha, sem desperdiçar o produto. "Obedecidas as condições climáticas adequadas para a aplicação, as chances de perda do produto por escorrimento e deriva são mínimas, pois a densidade das gotas é menor em relação ao pulverizador tratorizado", observa o professor.
Além disso, ressalta, o drone prescinde de profissionais capacitados para operar equipamentos convencionais de aplicação, sobretudo em regiões de estrutura complexa como as montanhas.