Um tipo de crime tem chamado a atenção no Espírito Santo: a perseguição (stalking). De janeiro a agosto, segundo dados da
Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), ocorreram 912 denúncias desse delito em solo capixaba, o que dá uma média de um caso a cada seis horas.
Desse total de incidentes registrados em oito meses, 571 se configuraram como “ameaça/perseguição”, enquanto outros 341 foram de “ameaça/violência psicológica contra a mulher”.
No ranking de denúncias aparece
Vila Velha em primeiro lugar, com 163 incidentes, seguido por Serra (162), Vitória (93), Colatina (44) e Cariacica (38).
Stalking, ou perseguição obsessiva, é um crime que consiste em perseguir alguém de forma insistente e repetitiva, causando medo e constrangimento à vítima. O termo "stalking" vem do inglês e significa "caçar" ou "perseguir".
O especialista em segurança pública e advogado criminalista Fábio Marçal alerta que a quantidade de ocorrências pode ser ainda maior, haja vista que há subnotificações. “Muitas vítimas têm medo de denunciar os agressores, por vários fatores que vão, por exemplo, de uma dependência financeira até por receio de que algo possa acontecer com seus entes queridos.”
Marçal frisou que a tipificação penal do stalking é recente, vinda de 2021: “A pena prevista é de seis meses a dois anos de reclusão e multa. Isso ainda é pouco, visto o tamanho do prejuízo emocional e também econômico com as vítimas. Há diversas mulheres que deixam de trabalhar por causa da perseguição constante dos agressor”, denuncia.