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Leonel Ximenes

Aposentado no ES vende mansão para dar volta ao mundo de veleiro

Ex-executivo de 69 anos vai navegar junto com a mulher para o Caribe, os EUA e o Mediterrâneo

Publicado em 06 de Julho de 2022 às 17:04

Públicado em 

06 jul 2022 às 17:04
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

José Sales a bordo do seu atual veleiro na Baía de Vitória
José Sales quer navegar até completar 100 anos de idade Crédito: Reprodução do Facebook
Fã de Fernando Pessoa, o aposentado José Sales Filho, de 69 anos, seguirá à risca uma das máximas do poeta português: já que navegar é preciso, ele vai se lançar ao mar navegando pelo Brasil e pelo mundo.
Mas, para alcançar os mares mais remotos, esse cearense radicado no Espírito Santo e morador de Vitória, onde chegou em 1978 para assumir a gerência de vendas da Transbrasil, resolveu abrir mão do seu maior patrimônio: ele acaba de colocar à venda sua mansão no Morro do Moreno, em Vila Velha, por R$ 3,950 milhões.
Com o dinheiro que pretende arrecadar, Sales inicialmente quer comprar um veleiro nacional de segunda mão, no valor de R$ 300 mil, para navegar pela costa brasileira por cerca de dois anos. Cumprida essa missão, ele se lançará em águas mais profundas.
O executivo aposentado da antiga TAM e ex-secretário estadual de Turismo planeja depois comprar o mesmo tipo de embarcação nos EUA, também usada, mas um pouco maior, mais potente e mais cara (R$ 700 mil), para singrar os mares do Caribe e dos Estados Unidos, atravessar o Atlântico e chegar ao Mediterrâneo.
Esta saga não tem duração planejada, mas, segundo gosta de brincar, ele velejará no máximo até 2053, quando completará 100 anos de idade.
José Sales a bordo do seu atual veleiro na Baía de Vitória
Sales a bordo do seu atual veleiro na Baía de Vitória Crédito: Reprodução do Facebook
José Sales já vendeu seu pequeno veleiro, o Catimba, que comprou com sua mulher, a capixaba Fernanda Conde Vescovi. O próximo barco será batizado com o nome da pequena cidade do interior do Ceará onde nasceu, Cariús.
"Consegui realizar o sonho de ter uma vida boa e descobri que 'viver é melhor que sonhar', como dizia o grande Belchior"
José Sales Filho - Executivo aposentado
Para atravessar o oceano, o aposentado, que já tem o curso de mestre amador, está se preparando para receber o título de capitão amador, patente que irá adquirir por meio de uma prova que fará na Marinha em outubro próximo. E ele tomou outra decisão simples, mas providencial: um curso para aprender a nadar. Marinheiro prevenido que é, melhor não arriscar, certo?
“Quando morei em Nova York, nos anos 1990, comprei um veleirinho e sempre quis velejar. Já nos anos 2000, quando voltei a morar nos EUA, agora com a TAM, velejava bastante com os amigos que tinham veleiro. Eu tinha a grana para comprar a embarcação, mas não tinha tempo”, recorda o ex-executivo, que vai navegar nos próximos quatro a seis anos em companhia da mulher, também velejadora e entusiasta da ideia.

FILÓSOFO, A VOCAÇÃO TARDIA

Sales tem natureza inquieta e encanta seus amigos pela simpatia e vivacidade. Depois de aposentado, graduou-se em Filosofia na Ufes, em seguida fez o mestrado na mesma universidade e agora se prepara para fazer doutorado em uma instituição que ainda vai escolher.
Seu objeto de estudo será Espinosa, filósofo do qual é fã e do qual tem extensa bibliografia. Alguns desses livros foram escritos por outra admiradora de José Sales, Marilena Chauí, a maior autoridade do Brasil no pensador racionalista holandês.
O ex-executivo, como registrou a coluna em 2015, ficou conhecido em todo o Estado por sair de casa, no Morro do Moreno, para estudar e trabalhar na Capital a bordo de um simples caiaque, o meio de transporte que utilizava para atravessar a Baía de Vitória.
A mansão no Morro do Moreno colocada à venda por José Sales
A mansão no Morro do Moreno colocada à venda por José Sales Crédito: Reprodução do Facebook
A bem dizer, a casa do Morro do Moreno na realidade é uma bela mansão projetada com arrojo e bom-gosto. Localizada de frente para a Baía de Vitória, o imóvel de 421 metros quadrados (área total de 600 metros quadrados) tem todo o conforto da vida moderna, mas um item em especial, uma relíquia, chamou a atenção no anúncio que Sales publicou informalmente nas redes sociais. Trata-se de uma porta de madeira cabreúva, de 200 anos presumivelmente, proveniente da demolição de um casarão da Avenida Paulista, em São Paulo.
E um aviso ao futuro proprietário do imóvel: como bom filósofo e adepto dos valores humanistas, o executivo tem em seu casarão um belo espaço reservado para uma fornida biblioteca.
Afinal, na casa de um filósofo predominam as luzes. E a luz.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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