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cidade do Rio de Janeiro e o Distrito Federal já estão permitindo que as pessoas andem sem máscaras em locais abertos; São Paulo admitiu nesta quarta-feira (3) que está debatendo o assunto e que no dia 1º de dezembro pode flexibilizar o uso do equipamento que ajuda a prevenir contra a contaminação da
Covid-19. E o Espírito Santo? As condições para que o uso de máscaras seja abolido, em certas situações, dependem muito do reconhecimento da efetividade da vacinação a médio prazo, segundo a
Secretaria Estadual da Saúde (Sesa).
A coluna conversou com o secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes, que listou as condições para a flexibilização do uso de máscaras em locais abertos no
Espírito Santo. “As máscaras representam uma barreira física que funciona como proteção complementar às vacinas. Sem 90% de cobertura vacinal da população e sem a dose de reforço dos idosos, acho difícil prescindir das máscaras”, adianta Nésio.
Mas não bastam essas condições. Há outra providência que nem começou ainda a ser colocada em prática: “Vamos precisar vacinar crianças para isso”, acrescentou o secretário.
A perspectiva de flexibilização até que existe, mas ninguém pense que o equipamento símbolo destes tempos pandêmicos deixará de ser exigido nas demais situações. “Máscara em local fechado e de grande circulação deve continuar a ser exigida por um bom tempo.”
E todos podem ter a certeza, segundo ele, de que as máscaras continuarão a fazer parte da rotina da população no ano que vem: “Devemos entrar em 2022 usando máscaras em locais públicos, como ônibus, avião, rodoviárias, comércio e eventos”, enumera.
A propósito, Nésio Fernandes afirma que o desafio é a comunicação, ou seja, como a população vai entender a decisão de uma eventual flexibilização do uso de máscaras em locais abertos.
“O dilema é como anunciar essa flexibilização porque, a rigor, muita gente não está usando máscaras em locais abertos, e nem está sendo cobrada por isso. A preocupação do governo é que a população entenda a flexibilização como um aval para que as máscaras sejam abolidas de vez e que a pandemia acabou e pode liberar geral. Isso não seria responsável com a gestão de risco da pandemia.”
De acordo com o secretário, as máscaras só serão flexibilizadas quando a taxa de transmissão da Covid estiver muito baixa, mas, segundo ele, há estudos que indicam preservação da eficácia do esquema de duas doses para
casos graves e óbitos, mas apontam queda da eficácia para casos leves após alguns meses de aplicação da segunda dose, o que pode levar à manutenção do uso das máscaras como medida complementar. No entanto, segundo o titular da Sesa, ainda são necessários mais estudos que reconheçam o resultado da vacinação em vida real.
Por isso, Nésio diz não ter dúvida de que no ano que vem a dose de reforço (a terceira) deverá ser aplicada em todo mundo, e não apenas nas pessoas maiores de 60 anos como acontece atualmente.
Por fim, o secretário afirma que o Espírito Santo não vai se precipitar e permitir a flexibilização do uso de máscaras sem que haja base técnica e científica para adoção desse tipo de medida. “Não adianta liberar agora e depois ter que recuar e voltar a exigir máscara lá na frente. É preciso cautela neste momento, agora é hora de avançar na vacinação e preservar o uso das máscaras”, conclui.