Vedete dos traficantes da
Grande Vitória, as submetralhadoras já estão ameaçando até pequenas cidades do interior do Espírito Santo. É o caso de Iúna, na região do Caparaó, que tem pouco mais de 29 mil habitantes. A cidade, que faz divisa com Minas Gerais, se destaca como importante polo de café arábica, de reconhecida qualidade. Violência, lá, só no passado distante, marcado por brigas políticas entre famílias e disputa por terras.
Na última segunda-feira (10), a
Polícia Militar apreendeu uma submetralhadora caseira enquanto fazia patrulhamento no Distrito de Nossa Senhora das Graças. Avistado, o suspeito se mostrou assustado e fugiu rumo a uma lavoura de café, onde dispensou um objeto, no caso, a arma do tipo calibre 38.
Foi iniciada a busca a fim de localizar o objeto e o indivíduo, e acabou sendo recolhida uma submetralhadora calibre 380 com dois carregadores e seis munições intactas. Os policiais permaneceram no local na expectativa de que o homem retornasse ao local para buscar a arma de fogo que havia deixado. Pouco tempo depois o acusado retornou a pé ao local para buscar o armamento e foi surpreendido e detido pelos PMs.
O que chama atenção é o fato de o suspeito ter contado que pagou R$ 4 mil pela arma. Procurado pela coluna, o presidente da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente e de Política Sobre Drogas da
Assembleia Legislativa, deputado Delegado Danilo Bahiense (sem partido), analisou o problema.
"Áreas de divisa de Estado são muito procuradas pelos traficantes e nem mesmo Iúna está livre disso, infelizmente. No campo, os bandidos se aproveitam do baixo efetivo e de ambientes poucos organizados, sem iluminação, para atacar. Ainda há um grande problema social, no qual jovens acabam sendo seduzidos pela droga, o que é lamentável”.
A apreensão da submetralhadora em Iúna não é um caso isolado no Estado.
Como a coluna mostrou, a polícia apreendeu mais esse tipo de arma, no primeiro trimestre deste ano, do que nos anos de 2019 e 2018 juntos. De janeiro a março, foram retiradas de circulação 54 submetralhadoras, enquanto em 2018 e 2019 foram 48, no total. No ano passado, um recorde, com 137 apreensões.