Ele já recebeu o nome de Solidão pelos observadores de pássaros. Por estar solitário, o periquitão-de-cabeça-azul (Thectocercus acuticaudatus), avistado e reconhecido nos últimos dias em
Jardim da Penha, em Vitória, é presa fácil de predadores naturais, como gaviões e falcões aqui residentes.
As fotos da ave foram feitas por José Silvério Lemos, morador da Rua do Canal, em Jardim da Penha. Ele é considerado pelos seus pares o mais experiente observador de aves do
Espírito Santo - tem mais de 30 anos de observação.
“Este pássaro é provavelmente vítima do tráfico de animais. Ele escapou de algum cativeiro, pois a espécie é endêmica do Nordeste do país e vive, normalmente, em grandes bandos. Mas aqui, tristemente, está vagando solitário”, lamenta Régis Silotti, membro do Clube de Observadores de Aves do Espírito Santo (COA-ES).
Silotti explica que para um indivíduo fora de seu habitat e oriundo de cativeiro, a chance de sobrevivência é muito pequena. “Ele não conseguirá alimentação natural para sua nutrição e acabará ficando debilitado e assim possivelmente se tornará um prato ‘exótico’ para gaviões e falcões aqui residentes.”.
Ele pede que caso alguém tenha conseguido capturar o periquito Solidão, entre em contato com o Ibama ou a PMV para que esses órgãos possam tentar recolher o animal e levá-lo ao Centro de Triagem de Animais Silvestres para posteriormente, se possível, ser reintroduzido na natureza.
Caso alguém o tenha avistado, entre em contato com o Clube de Observadores de Aves para que os especialistas possam monitorá-lo. “Lembramos sempre que animais selvagens devem viver livres na natureza”, diz Silotti.
Estima-se que o comércio ilegal pode tirar 38 milhões de bichos das matas brasileiras e movimentar R$ 3 bilhões. E a crueldade extrema: grande parte desses animais morre antes de chegar aos receptadores. Por isso, denuncie quem comercializa ilegalmente animais. Não prenda pássaros. Livres, eles são muito mais bonitos.