Uma dupla rotina trágica tem atingido
Feu Rosa. De janeiro a abril deste ano (dados mais recentes disponibilizados pela
Sesp), o bairro populoso na periferia da Serra é o líder em
assassinatos no Espírito Santo, com nove casos registrados.
E quanto ao novo coronavírus, Feu Rosa é o segundo território em número de óbitos, com 11 casos, empatado com Vila Nova de Colares, também na Serra e colado a Feu Rosa. Esses dois bairros somente estão atrás de
Jardim Camburi, em Vitória, com 13.
O retrato da tragédia no bairro serrano muda conforme o tipo de letalidade. Quanto aos óbitos por assassinatos, a faixa etária compreende pessoas jovens, de 0 a 36 anos. Todas do sexo masculino. Dois crimes foram em janeiro, outros quatro em março e mais três em abril.
Quando são analisadas as mortes pela Covid-19, a faixa etária é mais ampla e justamente a que compreende os mais vulneráveis. Três vítimas tinham entre 40 e 49 anos. Já outras duas estavam na lacuna dos 60 a 69 anos, enquanto três se enquadravam no intervalo de 70 a 79 anos e mais três na casa dos 80 a 89 anos. Da pessoas que perderam a vida por causa desta
“guerra” sanitária, sete eram homens e quatro, mulheres.
A vulnerabilidade fica mais nítida quando analisada a
escolaridade das vítimas. Seis tiveram seus registros ignorados, enquanto três tinham o ensino fundamental incompleto, um era analfabeta e outra tinha completado todo o ensino fundamental.
Na maioria das ocorrências, não houve tempo para o socorro adequado, já que sete morreram sem terem a devida internação, enquanto quatro morreram no hospital. Nota-se ainda que seis vítimas tinham problemas cardíacos, o ponto mais comum de
comorbidade.
A líder de óbitos pela Covid-19 no ES, Jardim Camburi, teve seu pico de casos em abril, quando nove mortes aconteceram, principalmente ligadas a uma casa de repouso. Depois, mais quatro ocorreram em maio.
Em Feu Rosa, por sua vez, os casos de coronavírus são crescentes e disseminados pelo bairro. Em abril foram três mortes, mas em maio, dez; ou seja, pelo menos uma morte a cada três dias no bairro por causa da Covid-19 no mês passado.