Eles estão lá, durante as 24 horas do dia, disciplinados, quietos, concentrados no seu ofício. O tão sonhado
Cais das Artes, abandonado e deixado à própria sorte, está longe de abrir suas portas para os espetáculos culturais, mas pelo menos já está despertando a criatividade e a fantasia.
A segurança do complexo, por exemplo, está sendo reforçada por dois bonecos. Isso mesmo: dois fantoches representam dois operários trabalhando no canteiro de obras às moscas. É ou não teatro puro?
Durante visita técnica do
deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB) ao complexo localizado na Enseada do Suá, nesta segunda-feira (11), foi comentado que os bonecos servem para espantar os “noias”, nome dado às pessoas que vagam pelas ruas consumindo drogas.
Mas quem tem que realmente se preocupar são os seguranças em carne e osso. Isso porque estão largados no canteiro de obras inativo equipamentos, como aparelhos de ar-condicionado e elevadores, e materiais de construção, incluindo pisos e outros revestimentos.
O custo da obra, incluindo a aquisição de equipamentos, já consumiu cerca de R$ 151 milhões do governo do Estado. O projeto, do
arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha, que morreu no ano passado, inclui um museu com uma área expositiva de 3 mil metros quadrados, teatro para 1,3 mil pessoas e orquestra, cafés, livrarias e espaços para espetáculos cênicos e exposições ao ar livre, além de um prédio administrativo.
Segundo o governo do estado, as obras foram interrompidas duas vezes. Em 2012, a empresa responsável foi à falência e o contrato foi rescindido. Um ano depois, outra empresa assumiu até meados de 2015, quando houve nova interrupção.
O governo da época, de
Paulo Hartung, rescindiu o contrato, a empresa entrou na Justiça e desde então as obras estão paradas. O DER-ES afirma que está buscando na Justiça um acordo com a mesma empresa para que ela retome as atividades.