Sempre carinhoso com os amigos, Cacau era tão zeloso pelas coisas do Espírito Santo que não raro tinha à mão uma espécie de kit formado por um punhado de urucum acompanhado da receita e da história da autêntica moqueca capixaba. Um presente que ofertava a todos, mas especialmente àqueles que ainda cultivavam a velha polêmica: onde é feita a melhor
moqueca do país?
Essa pergunta exigia pronta resposta de Cacau, hoje em dia acompanhada por muitos dos seus conterrâneos: não existe moqueca além dos limites do Espírito Santo. Moqueca, só capixaba. O resto todo mundo sabe.
Um dia antes de morrer, Cacau deixou registrada nas suas redes sociais uma comovente homenagem a Gustavo Belesa, amigo dele e figura muito conhecida em Vitória, que deixou este mundo nesta segunda (17), na véspera do falecimento do jornalista nascido em Vitória há 93 anos.
“O falecimento do meu grande amigo Lulu Belesa resgata também inesquecíveis lembranças, especialmente no que se refere à música, ao esporte, ao motociclismo e muito gratificante para a culinária capixaba que juntos sempre defendemos e promovemos”, escreveu o jornalista, reconhecendo o valor do amigo de longa data.
Cacau era assim, sensível, amigo, sedutor. Ninguém resistia à sua prosa. No dia 30 de setembro, acompanhado da sua amada Idalina e da família, ele ia sempre ao encontro do moquequeiro Nhozinho Matos, que abria as portas do seu restaurante, em Meaípe, para comemorar o
Dia Estadual da Moqueca Capixaba, lembrado nessa data por ser o aniversário de Cacau.
“Lamentamos profundamente o falecimento do embaixador da moqueca capixaba”, se entristece Nhozinho, amigo de Cacau há quase 50 anos.
É verdade, Nhozinho, morre o nosso embaixador, mas sua obra ficará eterna - a divulgação da
moqueca capixaba pelo mundo afora.
Moqueca sem azeite de dendê e leite de coco. Certo, Cacau?