Casagrande comeu torresmo e jiló ao lado do indigesto governador Zema
Leonel Ximenes
Casagrande comeu torresmo e jiló ao lado do indigesto governador Zema
Visita dos governadores de sete Estados do Sul e do Sudeste ao Mercado Central de BH aconteceu pouco tempo depois do discurso preconceituoso do anfitrião mineiro contra o Norte, Nordeste e Centro-Oeste
Publicado em 03 de Junho de 2023 às 16:20
Públicado em
03 jun 2023 às 16:20
Colunista
Leonel Ximenes
lximenes@redegazeta.com.br
Ao lado de Zema, Casagrande mostra um prato com jiló e fígado de boi no Mercado Central de BHCrédito: Hélio Filho/Secom ES
Certamente foi a liturgia do cargo e a boa educação que obrigaram o governador Renato Casagrande (PSB), reconhecidamente sensível aos problemas sociais, a comer torresmo, fígado de boi e jiló (com uma boa cachacinha mineira), junto com o anfitrião, o governador mineiro Romeu Zema (Novo), no famoso Mercado Central de BH, nesta sexta-feira (2).
E por que esse amargor todo? É que Zema, pouco tempo antes do animado rega-bofe, fez um discurso preconceituoso e primitivo, no primeiro dia de reunião do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), contra os milhões de brasileiros que moram no Centro-Oeste, Nordeste e Norte do país.
“Se tem estados que podem contribuir para esse país dar certo eu diria que são esses sete aqui. São estados onde, diferente da grande maioria, há uma proporção muito maior de pessoas trabalhando do que vivendo de auxílio emergencial. São estados onde há um setor produtivo muito mais dinâmico, então com toda a certeza boa parte da solução do Brasil passa por esses sete estados aqui”, falou o governador bolsonarista.
O boquirroto governador mineiro, representante legítimo de uma parte da elite brasileira que cultiva o preconceito, mesmo que com base em dados completamente falsos e errados, estava se referindo às sete unidades da federação do Sul e Sudeste, incluindo o nosso Espírito Santo.
OS NÚMEROS DIZEM OUTRA COISA
O preconceito é explícito e a afirmação errada é facilmente comprovada pelos números. Segundo o portal G1, diferentemente do que o governador de MG disse, a maioria dos estados brasileiros tem mais pessoas com carteira assinada do que recebendo auxílio. O dado é do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
A Região Centro-Oeste, por exemplo, concentra grande parte do agronegócio, setor que teve um avanço de 21,6% no 1º trimestre deste ano, o maior desde 1996. Ele foi um dos responsáveis pela alta de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no período.
Vamos continuar com os números? O Bolsa-Família, segundo dados do governo federal de abril deste ano, teve 21,19 milhões de pessoas contempladas no mês. O Sudeste é a segunda região com maior número de beneficiários do programa com 6,31 milhões de lares atendidos, atrás do Nordeste, com 9,73 milhões de famílias contempladas.
A região Norte tem 2,59 milhões de famílias, a Sul tem 1,42 milhão e a Centro-Oeste, 1,12 milhão. O maior benefício médio do país é de R$ 689,02.
E lembrar que Minas tem uma das regiões mais carentes do país, o Vale do Jequitinhonha, que, por sinal, recebe benefícios fiscais da Sudene, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, assim como parte do Espírito Santo.
OPÇÃO DA DIREITA PARA 2026
Queridinho da direita e da extrema direita e sempre lembrado para a eleição presidencial de 2026, Zema agora segue fielmente a cartilha daquelas pessoas que primeiro ofendem e falam asneiras, para depois se dizerem “arrependidas” diante da gigantesca repercussão de suas falas irresponsáveis.
Aconteceu com o governador mineiro, alvo de muitas críticas, na imprensa e nas redes sociais, pela demonstração de arrogância - e ignorância, como se vê. Neste sábado (3), correu para dizer que “não é bem assim”, “fui mal-interpretado”, essas coisas com que a sociedade brasileira vem se acostumando a assistir.
“Quem analisar a minha fala e escutá-la, vai ver que aquilo que eu quis dizer, e se fui mal interpretado, eu peço desculpas, é que nós, governadores do Sul e do Sudeste, temos convicção de que o melhor programa social é a geração de emprego”, disse o dissimulado Zema neste sábado, último dia do encontro com os sete governadores.
"Talvez por não utilizar as palavras adequadas, fui mal interpretado. As pessoas recebem o auxílio por não terem emprego. O auxílio é importante em momento de pandemia, recessão"
Romeu Zema - Governador de Minas, dando outra "interpretação" à sua fala
Governador Casagrande, uma dúvida: o senhor tomou um bom antiácido?
Neste domingo (4), o governador Renato Casagrande retificou a informação e disse que o fígado servido no Mercado Central de BH é de boi, e não de porco, como publicado inicialmente nesta matéria.
Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.