Casagrande e Pazolini no Sambão: harmonia zero, nota zero!
Leonel Ximenes
Casagrande e Pazolini no Sambão: harmonia zero, nota zero!
Os bastidores da passarela do samba, o climão entre as autoridades, os constrangimentos. A festa foi completa
Publicado em 10 de Abril de 2022 às 09:00
Públicado em
10 abr 2022 às 09:00
Colunista
Leonel Ximenes
lximenes@redegazeta.com.br
Sem o governador Casagrande presente na cerimônia de entrega das chaves ao Rei Momo, Erick Musso (E) colou no aliado Lorenzo PazoliniCrédito: Leonel Ximenes
Se fossem avaliados pelo júri, levariam zero, nota zero! O governador Renato Casagrande (PSB) e o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), o anfitrião da festa, fizeram de tudo para se evitar no desfile deste sábado (9) e madrugada de domingo (10) no Sambão do Povo. Adversários políticos, as duas personalidades não esconderam o constrangimento diante da possibilidade de um encontro aos olhos do público.
UM NO LESTE, OUTRO NO OESTE
A coluna, claro, acompanhou essa (má) evolução dos dois líderes políticos e contou: a distância média entre governador e prefeito foi de exatos 50 passos no corredor ao lado da passarela do samba. Pazolini ocupava o lado leste, o do camarote da Prefeitura de Vitória; Casagrande, por sua vez, ficou a oeste, pelos lados do camarote do Banestes, o banco do Estado.
CLIMÃO NA PASSARELA
Teve climão, em frente a este colunista: um deles aconteceu quando Pazolini passou sambando atrás da Jucutuquara. No momento em que se aproximava do local onde o governador assistia ao desfile, acelerou o passo, foi em frente de cabeça erguida e Casagrande, por sua vez, resolveu dar uma olhada rápida pra trás, de forma a não encarar ou cumprimentar o adversário político. Quer mais falta de harmonia que isso, gente?
Casagrande e Arnaldinho Borgo: com o prefeito de Vila Velha, harmonia nota 10 na avenidaCrédito: Leonel Ximenes
A CHAVE DA DISCÓRDIA
A prova definitiva da ruptura carnavalesca dos dois líderes políticos: a cerimônia de entrega das chaves ao Rei Momo não teve a presença de Casagrande. Causou estranheza porque nos oito anos em que Luciano Rezende (Cidadania) foi prefeito de Vitória, o governador sempre participava da festa.
QUEM FICA COM QUEM
Sem Casagrande, fizeram companhia para Pazolini, numa cerimônia meio sem graça, o deputado Erick Musso e o vereador de Vitória Deninho, do União Brasil. E desunião do ES.
O charme de Schyrley Moura, logo após brilhar na avenida como rainha de bateria da JucutuquaraCrédito: Leonel Ximenes
MENOS QUE UM SELINHO
Pra não dizer que não falei de flores, Pazolini e Casagrande só se permitiram um leve toque de mãos, carregado de constrangimento. Foi quando o prefeito, como fez com todas as nove escolas, saía atrás da última ala em direção à dispersão e “cumprimentou” o governador. Sem palavras, sem juras de amor, sem fidelidade.
SEM VIOLÊNCIA, POR FAVOR
O engraçado da cerimônia de entrega das chaves foi um cerimonialista dizer que Pazolini iria “transpassar” a chave da cidade para o Rei Momo. Ainda bem que o prefeito não fez o que o moço falou porque, a essa altura, nosso simpático Rei Momo já estaria gravemente ferido. Ou coisa pior. Valei-me!
HÁ QUÓRUM
Fora essa desarmonia, prefeito, governador e deputados estavam muito animados. Sim, tinha muitos parlamentares no Sambão em ano de eleição: Marcelo Santos, Erick Musso, Dary Pagung, Renzo Vasconcelos, Iriny Lopes, Janete de Sá, Xambinho e Torino Marques.
ATO DE CONTRIÇÃO
Sambão lotado, em plena QuaresmaCrédito: Fernando Madeira
O Sambão estava também bem cheio e animado, isso em plena Quaresma, mesmo com padres pedindo que fiéis não caíssem na tentação e, consequentemente, não caíssem no samba. Quem se sentiu meio caído agora, uma dica: converse com seu pároco sobre a penitência devida.
Bateria da Novo Império fazendo uma ousada coreografia na avenidaCrédito: Leonel Ximenes
BANQUETE DE DIREITA
O camarote da Prefeitura de Vitória estava lotado, animado e com muita comida e bebida de qualidade. A coluna anotou: tinha frios diversos, pratos quentes, pastas, pães, cerveja artesanal, vodka, gim, sucos, água… A direita gosta de passar bem; na época de Luciano Rezende era um pouco mais austero.
PRECISA EXPLICAR?
Quem esteve na sala vip do camarote da PMV foi o superintendente da Polícia Federal, Eugênio Ricas, o ex-quase-futuro-candidato a governador. Ele se sentiu mais à vontade ficando mais perto do prefeito do que do governador. Entenderam?
A FOFA DO SAMBÃO
Como já é tradição, ela estava lá: às 20h, duas horas antes do início do desfile, uma simpática cachorrinha aproveitava a passarela do samba para descansar. A bichinha só saiu correndo quando o sistema de som do Sambão foi acionado.
A cadela solitária no SambãoCrédito: Leonel Ximenes
POUCO PARA MUITOS
A Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesge) pagou R$ 40 mil à empresa que recrutou a equipe de jurados para os três dias de desfile. Só neste sábado/domingo atuaram 27 julgadores, todos do Rio de Janeiro. R$ 40 mil para tanta gente parece quase nada. Não dá nem para comer uma moqueca nos restaurantes capixabas.
POUCAS PARA MUITAS
Dos 27 jurados, só cinco eram mulheres.
Acompanhado da primeira-dama, dona Virgínia, Casagrande "capixabeando" na camisaCrédito: Leonel Ximenes
CHEIRANDO MAL
Em alguns locais ao lado do corredor defronte aos camarotes, vinha um cheirinho desagradável de azedo. Coisa estranha.
CONSTATAÇÃO
No Sambão, nada de máscaras. No templo do samba, ninguém esperou a OMS decretar o fim da pandemia.
VASSOURADA NO SAMBA
Os tradicionais garis sambistas foram substituídos por máquinas que limparam a pista durante o intervalo de desfile entre as escolas.
FÉ E SAMBA
Às 2h30 da madrugada deste domingo (10), um pequeno grupo de jovens evangélicos participava de um louvor barulhento dentro de um galpão na entrada sul do Sambão.
A PREFERIDA
O final do desfile da Novo Império foi saudado com gritos de “é campeã!”, entoados nas arquibancadas e nos camarotes. Será que os jurados vão concordar?
CHARLES ALBERT
O locutor oficial do Sambão apresentou-se ao público em português e em inglês.
A paixão e o esforço dos empurradores de alegorias da MUGCrédito: Fernando Madeira
VIVA O SUS!
Esse mesmo locutor emocionou a passarela do samba ao revelar que estava ali trabalhando depois de ter sido curado de um câncer. E pelo SUS.
AZAR EM DOBRO
Por pouco o vereador Denninho Silva não chegou atrasado ao desfile da escola da sua comunidade, a Chegou o Que Faltava, na sexta-feira (8). É que sua mulher, Adriana, deu azar e conseguiu a proeza de quebrar duas sandálias diferentes a caminho do Sambão. O jeito foi retornar rapidamente, ir a um shopping do outro lado da cidade e comprar uma sandália resistente. Deu tudo certo desta vez.
ALÔ, ELEITOR!
Você convidaria Casagrande e Pazolini para tomar café com bolinho de chuva na sua casa?
Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.